O meu canto de pedra
Il mio canto di pietra
La Caravella editrice, Viterbo, 2013
21. Esta é a minha cidade
Esta é a minha terra
aqui nasci
mesmo que os ventos mornos do norte se levantem
mostrando os músculos
invocando
a minha negação
Aqui nasci
e esta é a minha terra
mesmo que este destino
cinzento
me bata na cara
as portas da minha cidade
Esta é a minha terra
que o digam ou não os oceanos
que o pensem ou não as montanhas
que o reconheçam ou não
as areias do deserto
Querem-me negar
o ar que respiro
Querem-me impor
deuses alheios
Querem-me arrancar o ser
pela garganta
Querem-me despir
das categorias do meu ser
encravando-me
naqueles séculos que geraram as minhas raízes
Dizem-me
que não sou
que não pertenço aos muros desta cidade
que sou filho distante
de outros povos
que o meu sangue não é azul
Arrancam-me
com alicates
as palavras dos lábios
Obrigam-me a apanhar um voo estranho
rumo ao nada
rumo ao ignoto …
Mas esta é a minha cidade
mesmo se a noite
é ainda escura
e os filhos da noite
ranjam os dentes contra mim
Esta é a minha cidade
hei-de defendê-la
dos olhares malignos
Será
um dia
primavera!
(dedicada aos filhos dos imigrantes nascidos na Itália).
21. Questa è la mia citta
Questa
è la mia terra
sono nato qui
anche se i venti tiepidi del nord si alzano
mostrando i muscoli
invocando
la mia negazione
Sono nato qui
e questa è la mia terra anche se questo destino
grigio
mi chiude in faccia
le porte della mia città
Questa è la mia terra
che lo dicano o no gli oceani
che lo pensino o no le montagne
che lo riconoscano o no
le sabbie del deserto
Mi vogliono negare l’aria che respiro
Mi vogliono imporre
dèi estranei
Mi vogliono strappare
l’essere dalla gola
Mi vogliono spogliare
delle categorie del mio essere
inchiodandomi
in quei secoli che hanno generato le mie radici
Mi dicono che non sono
che non appartengo alle mura di questa città
che sono figlio lontano
di altri popoli
che il mio sangue non è blu
Mi strappano con le mani
le parole dalle labbra
Mi costringono a prendere un volo estraneo
verso il nulla
verso l’ignoto …
Ma questa è la mia città
anche se la notte
è ancora buia
e i figli della notte
stridono i denti contro di me
Questa è la mia città
la difenderò
dagli sguardi maligni
Un giorno
sarà primavera!
(dedicata ai figli degli immigrati nati in Italia)
