Rivista di etica e scienze sociali / Journal of Ethics & Social Sciences

03 marcano 1

 

pdfCAP. IV. Observação e entrevista aos camponeses familiares na Província da Zambézia (dezembro 2018 – janeiro 2019)

Introdução

03 marcano O presente capítulo focaliza-se no estudo dos principais desafios e oportunidades que o sector agrícola familiar atravessa no seu dia a dia. E para realizar tal estudo tivemos que formular um questionário que sintetiza, e procura aprofundar sobre as principais dificuldades e oportunidades que os camponeses atravessam no seu trabalho cotidiano. E sabendo que o país é vasto geograficamente; o estudo se concentrou na Província da Zambézia. Todavia, o estudo, pretende abrir-se a toda a realidade moçambicana visto que, em todo o território nacional a maioria das famílias vive nas zonas rurais e essa depende do sector agrícola familiar como a única fonte de rendimento familiar.

E num momento em que as novas políticas globais sobre o sector agrícola promovem políticas que visam o despertar do mundo familiar para fazer face a problemática da pobreza e da insegurança alimentar no mundo. Como o caso da FAO, que recentemente continua a publicar vários escritos em favor da agricultura familiar, sublinhando atentamente o seu valor no desenvolvimento de muitas comunidades rurais. E o nosso estudo procura abraçar esta mesma linha de pensamento, observando a vida cotidiana dos camponeses e terminando com a entrevista individual de tipo padronizado.

 

4.1. Um olhar a província da Zambézia

Zambézia é a segunda Província mais grande do país em termos de superfície e segundo o número dos habitantes; e encontra-se “situada na região centro de Moçambique. A sua capital é a cidade de Quelimane, localizada a cerca de 1600 km ao norte de Maputo, a capital do país. Com uma área de 103 478 km², está dividida em 22 distritos, e possui, desde 2013, 6 municípios: Alto Molocué, Gurué, Maganja da Costa, Milange, Mocuba e Quelimane” (Portal do Governo da Província da Zambézia). E já o seu distanciar-se com a capital nacional pode explicar também o estado social da Província, e de facto, essa se encontra ainda mergulhada numa pobreza estrema. A maioria da população principalmente crianças e idosos morrem marginalizados pela pouca assistência educativa, sanitária e alimentar. E quase a maioria dos distritos desta Província a sua população vive na falta de água potável.

E nos últimos anos Direção Nacional das Águas e a FIPAG, continua a fazer grandes trabalhos de abertura de grandes poços para permitir o abastecimento da água no país. Mas mesmo exportando essa tal água nas profundidades dos vários rios das zonas rurais, a comunidade rural continua a percorrer quilómetros para obter água potável. Portanto as cidades já possuem quase todas a água potável, e mesmo sabendo que aquela água sai das zonas rurais, porém a população que vive nas zonas rurais continua vivendo sem água potável. E muitos professores das escolas primárias principalmente das zonas rurais encontram dificuldades sobre como enfrentar alguns temas didáticos, como por exemplo o estado das águas. E de facto os livros dizem que a água é insipida, incolor e inodora. Infelizmente o estado das águas das zonas rurais usado para o consumo apresenta várias cores, é sápida e nodoara. 

É verdade que nos últimos anos, graças a investimentos estrangeiros foram levados acabo projetos de abastecimento de água nas zonas rurais, com abertura de poços de grandes profundidades. Mas tais poços muitas vezes criam conflitos entre as famílias, muitas das vezes é um poço deixado para uma inteira localidade e devido a necessidade crescente por parte das famílias e da carência da água que se vive nas zonas rurais, principalmente no verão, os poços não duram muito tempo e as famílias depois de alguns meses encontram-se na mesma situação. E muitas das vezes os poços faltam de uma sola e ninguém sabe substituir ou mesmo porque falta do dinheiro para a compra de uma pequena ferramenta em falta. E para além da falta de água potável, a Província apresenta uma enorme problemática de pobreza e de fome; na Província ainda muitos morrem pela problemática de fome e malnutrição. Portanto as pessoas nas zonas rurais sofrem de vários problemas, e muitas das vezes devido o multiplicar-se dos problemas nas zonas rurais, tem sido difícil diagnosticar a verdadeira causa de óbitos de muitas pessoas.

Por outro lado, a província da Zambézia sofre em todas as épocas de desastres naturais como por exemplo, secas prolongadas assim como inundações que deixam muitas famílias desalojadas, comprometendo todas as suas actividades agrícolas. E de facto a cada ano, os caudais dos rios Zambeze e Licungo são muito alto, e alagam as casas e as machambas destruindo todos os produtos agrícolas e deixando as famílias bloqueadas em fazer qualquer actividade agrícola. E muitas das vezes é preciso a intervenção de helicópteros para a salvação de muitas vidas humanas. E devido a tais situações, a política do governo continua a trabalhar para a criação de novos centros de reassentamento para alojar as famílias, isto é, criando novos bairros nas zonas mais altas. Todavia as famílias depois das cheias terminarem regressam nas zonas baixas a procura da fertilidade do terreno visto que as novas terras por esses reassentadas não oferecem melhores condições agrícolas. E tal problemática passou a ser vicioso e se repete em todos os anos, principalmente no período chuvoso acompanhado de muitas inundações. E já nos meados de 2019, as chuvas, inundações e ciclones afeitaram drasticamente a Província, os estudos feitos no campo mostraram que “43.205 pessoas foram afeitadas, com um número de 4 mortos; e 3.090 casas totalmente destruídas, 286 salas de aulas afeitadas e a maioria destruídos e 78.627 ha de lavouras inundadas afeitando 52.210 pequenos agricultores” (Mozambique: Flooding Office of the Resident Coordinator – Flash update No. 3 2019: 2).

E tudo mostra que a maioria das pessoas afeitadas são famílias camponesas e que dependem somente de trabalhos agrícolas para o seu bem-estar familiar e social. E os grandes problemas climáticos criam constrangimentos na vida dessas famílias acelerando a problemática da pobreza de pessoas que já se encontravam na vulnerabilidade. E já como dizíamos as chuvas e inundações de 2019, desalojaram muitas famílias, e “existem pelo menos 6.542 pessoas deslocadas e hospedadas em 11 centros de trânsito. Dentro das populações afeitadas, foram identificados grupos vulneráveis num total de 894 pessoas, das quais 683 são crianças órfãs e 165 idosos” (Mozambique: Flooding Office of the Resident Coordinator – Flash Update No. 3 2019: 2). Portanto como podemos ver os problemas que vivem as famílias principalmente das zonas rurais são enormes. E malgrado que esses problemas se repetem quase todos anos e nas mesmas épocas, variando somente a sua intensidade. E de facto, todos anos a Província da Zambézia sofre de várias inundações, ciclones e secas. E o governo vem dobrando esforços juntos com várias organizações humanitárias apoiando as pessoas afeitadas. Todavia tais esforços se limitam na ajuda alimentar e na entrega de novos insumos agrícolas. E a cada ano se repetem os riscos climáticos e o governo por meio do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, junto aos parceiros internacionais, continuam a percorrerem as mesmas fontes; isto é, na distribuição de comida e kits de insumos agrícolas.

Se pode dizer, que se vive já sabendo o que irá acontecer no país no intervalo dos anos entre outubro e março, períodos de grandes chuvas e ciclones e pouco se faz ainda para prevenir tais desastres naturais. E se gasta maior valor económico para sanar os danos temporais. Em Moçambique durante o período das inundações e ciclones estamos habituados a distribuir comida as pessoas afeitadas nos centros de reassentamento e não conseguimos repor as infraestruturas destruídas pelas chuvas. Um exemplo desta realidade é o caso da ponte do rio Licungo que liga a sede distrital da Maganja da Costa com a estrada nacional que se encontra destruída desde das chuvas e inundações de 2016. Portanto a Província sofre vários problemas, e se de um lado as cheias e ciclones destroem e alagam os campos de produção. Por outro lado, no mesmo período, os principais produtos alimentares no mercado aumentam de preços de modo clandestino. E tudo isso, deve-se a problemática das cheias e ciclones que cortam todas as vias de circulação deixando as famílias desalojadas e armadilhadas sem nenhum contacto externo. É tempo, portanto de começarmos a analisar e estudar que a cada ano o país perde muitas vidas humanas e assim como hectares de terras destruídos e o tipo de ajuda que vem dado as famílias no período de emergência serve somente para aquele período de emergências; são ajudas, portanto, que não conseguem suscitar uma prosperidade nas famílias.

E a problemática climática em Moçambique continua sendo a cada ano o grande mal para muitas famílias e um sistema de alarme para todo o país. Na primeira quinzena de março, por exemplo o ciclone Idai, que se verificou em Moçambique acabou destruindo quase uma inteira cidade da Beira. E segundo o discurso do Presidente da República de Moçambique Filipe Nyusi, no dia 18 de março apontava já previsões “de mais de 1000 pessoas mortas e mais de 400 mil pessoas que corriam o risco de vida”. E para além disto, o ciclone Idai, destruiu também milhares de hectares de terras e de produção de muitas famílias que por sinal depende da mesma para a sua sobrevivência. E tudo isso mostra que o ano de 2019 ficou totalmente comprometido. Moçambique e principalmente a zona centro e norte correm o risco de grande pobreza e fome e o insurgir de muitas doenças como a diarreia, cólera, etc. As inundações e ciclones registrados naqueles pontos do país comprometeram toda a produtividade de inteiras famílias, assim como para aqueles de fazendas bem equipadas tecnologicamente.

 

4.1.1. O potencial agrícola da província da Zambézia

A província da Zambézia foi sempre vista desde dos tempos coloniais como um grande centro comercial de vários produtos agrícolas. E já a partir dos anos, “1870, começaram a estabelecer-se em Quelimane várias companhias europeias, já não interessadas em escravos, nem em marfim, mas sim em oleaginosas – amendoim, gergelim e copra, muito procuradas nas indústrias recém-criadas de óleo alimentar, sabões e outras” (Portal do governo da província da Zambézia). E mesmo nos anos após a independência a Província foi sempre vista como um dos principais futuros celeiros do país. E de facto logo após a Independência o primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, sonhava em transformar a Província em um dos celeiros nacional e um grande centro de comercio de produtos agrícolas. E naquele período via-se o distrito de Mocuba como um porto terrestre, onde todos os produtos agrícolas deveriam serem comercializados, armazenados e redistribuídos para outros pontos do país.

E mesmo ate aos nossos dias, a Província da Zambézia continua sendo um grande património nacional, em termos de produtividade agrícola. A Província apresenta de facto, um clima diversificado e favorável para a produtividade de uma vasta gama de diversidade de produtos. E o sector agrícola, continua ainda a depender do capital familiar, e ainda na mesma província a maioria da população vive ainda nas zonas rurais. E a maioria desta população vive de trabalhos agrícolas e muitos deles têm grandes porções de terras com boas qualidades produtivas. E quando se trata de boas épocas acompanhadas de chuvas moderadas a província da Zambézia tem vindo a satisfazer a necessidade alimentar de muitas famílias. E a maioria da produção agrícola depende também do trabalho das famílias camponesas. Todavia apesar deste seu grande património agrícola, na província ainda uma minoria, conseguem produzir para o consumo familiar e assim como para a venda, enquanto que a maioria mesmo havendo boas porções de terras ainda não conseguem cultivar uma quantidade suficiente que chegue para seu consumo familiar.

 

4.1.2. O processo de seleção das famílias

A Província é de grande importância para o nosso estudo, devido as facilidades da língua local; e de facto para além do português considerado como a língua oficial do país, existem também muitas línguas nativas e por sinal muitos camponeses não falam português e se comunicam graças as várias línguas nativas. E partindo desta realidade, achamos conveniente focalizar a nossa área de estudo nas zonas da língua chuabo, visto que apresentamos pequenas dificuldades na compreensão do Lomué e Sena, que são outras línguas faladas na província da Zambézia. Contudo, mesmo apesar da tal divergência linguística, na província assim como no país, tudo mostra que a problemática, em que se encontram os camponeses afeitam todos os distritos da província, assim como todas as províncias do país, razões pelas quais, o nosso estudo poderá servir de resposta para a problemática provincial assim como aquele inteiro país.

E a seleção destas famílias baseou-se, em individuar famílias que praticasse e vivessem somente de actividades agrícolas. E para tal foi preciso o uso dos nossos conhecimentos no campo, onde tivemos a possibilidade de contactar o Bispo da Diocese de Quelimane que, por sinal este indicou-nos algumas pessoas por contactar. Como o caso do senhor Jamal, que é o responsável da missão de Namacurra e esse conseguiu comunicar aos membros da sua missão acerca do nosso estudo em causa, e assim sucessivamente para os outros distritos da Maganja da Costa e Nicoadala. E tais distritos de facto, vivem e depende de actividades agrícolas como a única fonte de redito. E o trabalho de pesquisa foi realizado nos dias 15 de dezembro de 2018, no distrito de Nicoadala, nos dias 20 de dezembro também do mesmo ano no distrito da Maganja da Costa e nos dias 5 de janeiro de 2019 no distrito de Namacurra. Das famílias selecionadas, as 6 do distrito da Maganja da Costa, foram selecionadas graças ao contacto direito que tivemos com aquela família desde o início da nossa pesquisa principalmente em 2016 durante a nossa visita naquele distrito, onde mantivemos as nossas relações com aquelas respectivas famílias que por sinal vive somente de trabalhos agrícolas. Quanto as 5 famílias do distrito de Nicoadala, conseguimos entrar em contacto com essas famílias graças a trabalhos agrícolas que vínhamos efetuando naquele distrito no ano de 2012. Enquanto que as 14 famílias do distrito de Namacurra tivemos o seu contacto graças ao responsável da Missão da Paroquia do mesmo nome. E o trabalho de pesquisa naqueles distritos foi realizado no período ou no intervalo de muitas chuvas no pais. Período por outro lado, em que as famílias camponesas estão fazendo a sementeira de arroz, e assim como da colheita do ananas, batata doce, e das mangas.

Entre os distritos por nos estudados devemos aqui dizer que foi fácil chegar nos distritos de Nicoadala e Namacurra devido ao fácil acesso que liga as principais vilas distritais com a Cidade de Quelimane. E por outro lado, foi tão difícil chegar no distrito da Manganja da Costa devido ao desabamento da ponte do rio Licungo que liga aquele distrito com a estrada nacional. E devido a tal efeito fomos obrigados a usar uma estrada alternativa que por sinal é mais longa e de difícil acesso. E um dos aspectos comum destes distritos é que todos encontram-se nas zonas planas da província da Zambézia e tem quase a mesma especialidade produtiva. E um dos produtos mais cultivados é o arroz e a mandioca. E um outro aspecto, é que esses distritos sofrem os mesmos problemas e dificuldades produtivas; no verão todos sofrem grandes secas e nos tempos chuvosos esses são vítimas de grandes cheias e inundações que acabam destruindo as casas feitas de material precário inclusive toda a sua produtividade.

 

4.1.3. Entrevista por meio de um questionário

O estudo de pesquisa de campo foi realizado recorrendo a metodologia de entrevista individual de tipo padronizado. De princípio partimos com a ideia de um focus group, visto como um método fácil e rápido. Todavia vendo o contexto em causa, vemos que em muitos lugares, homens e mulheres vivem de trabalhos agrícolas, e colocar essas pessoas no mesmo lugar para um focus group, levaria o risco de obter mais respostas dadas pelos homens que pelas mulheres. Trata-se de uma cultura onde muitas mulheres por questões culturais em frente dos homens devem ficarem mais silenciosas. Portanto não queremos aqui dizer que a entrevista pessoal seja a mais ideal que uma entrevista pelo focus group, porém deixar presente que muitas das vezes “o entrevistado ou o participante numa discussão em certas situações pode sentir-se mais livre, portanto mais disponível a fornecer noticias que duma outra forma não comunicaria nenhum estranho” (Acocella 2008: 18). E isso pode acontecer devido a factores já mencionados assim como pela falta de interação entre os membros que fazem parte do grupo.

Portanto, a entrevista individual é para nós, um método ideal para o nosso estudo em causa. E tal entrevista foi realizada de modo “padronizado precisamente porque todos os entrevistados são postos a mesmas perguntas e, na maioria das vezes, todos têm as mesmas possibilidades de resposta” (Bichi 2007: 43). E tal entrevista foi realizada envolvendo as 25 famílias camponeses da Província da Zambézia, nomeadamente 14 do distrito de Namacurra, 6 do distrito da Maganja da Costa e 5 de distrito de Nicoadala. E tais camponeses compreendem homens e mulheres dos quais a sua idade compreende dos 31 anos aos 62 anos. E a entrevista foi realizada iniciando por uma explicação aos camponeses sobre o argumento por tratar e explicando a todos os presentes a finalidade desta mesma entrevista. E terminada esta fase procuramos de dispersar os camponeses, e iniciamos a chamada individual, em que vinha feita a entrevista iniciado da primeira a última pergunta que faziam para do questionário por nós proposto. E como já dizíamos precedentemente, devido a dificuldade da língua portuguesa por parte de alguns camponeses, a entrevista foi realizada a valendo-se das duas línguas, português como a língua oficial e uso do chuabo nos casos em que fosse necessário. E depois da recolha dos dados, procuramos analisar os dados recorrendo a estudos de estatísticas para a analise dos resultados. E procuramos de apresentar numa equivalência decimal de duas percentagens. E para tal foi também necessário o uso de tabela, assim como um uso menor de gráficos. E algumas perguntas foram abertas e outras perguntas fechadas. E cada camponês foi colocada a mesma pergunta, e as respostas foram recolhidas e analisadas atentamente de acordo a nossa hipótese inicial.

4.2. Apresentação e analise dos resultados

Este trabalho de pesquisa no campo serviu-se de um questionário dividido em sete secções. A primeira secção tinha como objectivo estudar a composição familiar e o tipo de instrução por cada núcleo familiar. E segunda secção concentrou-se em estudar dos tipos de trabalhos agrícolas que as famílias fazem no seu dia a dia. A terça secção estuda o tipo de meios agrícolas que as famílias utilizam nas suas actividades agrícolas. E a quarta secção estuda o método de produção que a famílias camponesas seguem para a prática dos seus trabalhos no campo. A quinta secção estuda a questão da terra, isto é, procura ver a possibilidade que a família tem no acesso da terra para a realização dos trabalhos agrícolas. Na sexta secção o nosso questionário concentrou-se em estudar e aprofundar a questão do mercado no sector agrícola familiar procurando solucionar os desafios que concernem nesta respetiva área. Na sétima e última secção estuda as criticidades que as famílias encontram no seu trabalho e quais formas de ajudas que essas recebem em caso de dificuldades no rendimento agrícola, procura saber se existe o acesso ao crédito familiar assim como a existências de outras formas de ajudas agrícolas.

 

4.2.1. Composição familiar

a) Quantas pessoas vivem contigo na mesma casa?

Сomposição familiar de 25 camponeses    
 Familias por idade  Familias por idade  Frequência Percentual 
 Crianças de (0-11 anos)  31  0.2 20% 
 Adoslescentes (12-18 anos) 48  0.31 31%
 Jovens (18-35 anos) 38  0.25 25%
 Adultos H e M (>35 anos) 36 0.24 24%
 Numero total de pessoas 153  1 100%

Nesta primeira pergunta, tínhamos como objectivo, aquele de querer saber o número de crianças, adolescentes jovens e adultos que compõe a cada respectiva família. E olhando para os nossos dados prelevados no seio das 25 famílias; acabamos observando que a cada família é composta por um número elevado de pessoas. E entre esses os adolescentes e jovens das 25 famílias fazem um total de 48 pessoas equivalente a 31%. Enquanto que os jovens fazem um total de 38 pessoas equivalentes a 25%; adultos 36 equivalentes a 24% e por últimas crianças com um total de 31 pessoas equivalente a 20%. E atendendo e considerando a importância do capital humano no sector agrícola familiar, podemos dizer que as famílias compõem um capital ideal para a actividade agrícola. E de facto com uma enorme porção de terra, os adolescentes e jovens servem como a principal força de trabalho nas diversas actividades agrícolas. A nossa pesquisa também notou que a maioria das crianças são netos e netas frutos de algumas gravidezes indesejadas ou mesmo crianças de alguns casamentos prematuros. Em outros casos encontramos também núcleos familiares mais grandes com sogros e sogras vivendo no mesmo quintal da casa dos seus parentes.

b) Você pratica algumas actividades fora do sector agrícolas? 

Actividades fora do ambiente agricola    
 Tipo de nTrabalho Familias Frequencia Percentual
 Taxi de bicicleta 0.08 8%
 Professor 2 0.08 8%
 Enfermeiro 1 0.04 4%
 Policia 0 0 0%
 Outros 20 0.8 80%
 Total 25 1 100%

Nesta pergunta, tínhamos como objectivo principal, saber quantas famílias trabalham em actividades fora do ambiente agrícola. E segundo as respostas dadas, podemos dizer que quase todas as famílias fazem actividades fora do ambiente agrícola. E de facto as 25 famílias, fazem outras actividades fora do seu sector agrícola familiar. Entre esses temos 8% num total de 2 famílias que fazem táxi de Bicicleta, e de igual número para professores. E uma senhora que também trabalha como enfermeira, enquanto as restantes 20 famílias, equivalentes a 80% fazem outras actividades fora do seu ambiente familiar, é o caso de trabalhos de pedreiro e carpintaria para os homens e trabalhos domésticos para homens e mulheres, para além de trabalhos diários.

c) Que tipo de nível de instrução você têm?

Estado da instruçao das 25 familias
Nivel instruçao Familias educadas Frequência Percentual
AEA 3 0.12 12%
Ler / escrever 7 0.28 28%
Primario 4 0.16 16%
Secundario 3 0.12 12%
Universitario 0 0 0%
Curso Profissional 0 0 0%
Outro 0 0 0%
Nenhuma 8 0.32 32%
Número total de familias 25 1 100%


Um dos desafios para muitas famílias camponesas em Moçambique e no mundo em geral é a falta da edução. E de facto, entre 25 os camponeses familiares por nos entrevistados observamos que 32% dos camponeses e principalmente os mais idosos não tiveram a possibilidade de acederem a nenhum sistema educativo no país. E tal realidade continua ainda a criar dificuldades quando se fala da formação dos camponeses em matérias agrícolas, sabendo que muitos nem sabem escrever e nem ler. E malgrado que mesmo os que acederam ao sistema nacional de educação, também não sabem escrever e ler. E de facto, mesmo as 7 famílias que dizem que sabem ler e escrever, essa sabe fazer uma leitura muito limitada em palavras simples e não conseguem ler e interpretar por exemplo um pequeno texto. E em muitas zonas rurais raparigas e rapazes iniciam o ensino primário e nunca chegam a terminar. A maioria das raparigas são obrigados a abandonar devido a problemática de gravidezes indesejadas ou mesmo devido a casamentos prematuros. Em outros casos as crianças, os adolescentes e os jovens acabam abandonando os seus estudos devido aos trabalhos agrícolas. E de facto, os adolescentes e jovens são a principal força de trabalho nas zonas rurais, esses para além da ajuda no cultivo da terra são a principal força de transporte dos produtos para as casas, assim como para o sector das vendas que muitas das vezes se encontram distantes e levam horas para puder chegar nestes lugares. E com a falta de meio de transportes estes são obrigados a madrugarem todos os dias, para puder chegar cedo e ocupar lugares estratégicos para conseguir vender os seus produtos e evitar perde-las devido as temperaturas altas e pelo excesso do mesmo produto no mercado ou na feira. Porem como já dizíamos alguns camponeses já iniciaram a afastar os seus filhos nos trabalhos agrícolas e lhes mandam noutras cidades e vilas por razões escolares. Todavia essa continua sendo ainda uma minoria, visto que o maior número ainda é nas zonas rurais e vive de trabalhos agrícolas.

 

4.2.2. Tipos de trabalhos agrícolas

Na Província da Zambézia os trabalhos agrícolas dividem-se em vários ramos como: agricultura, criação de animais, cultivo de plantas de fruto, pesca, piscicultura, recolha de produtos vegetais nas florestas, corte de arvores e transformação em carvão usado como combustível, caça de animais, e trabalhos de artesanatos como o trabalho artesanal de panelas de barros feitos pelas mulheres e para o trabalho artesanal de cestos de palha que vem feitos pelos ambos os sexos e com esses vem associados os trabalhos da carpintaria e a destilação do aguardente (catxaço) que vem realizado por parte dos homens. E entre esses; os trabalhos mais realizados na sociedade camponesa da Província da Zambézia são: agricultura, criação de animais, pesca e cultivo de arvores ou plantas de frutas. E entre esses a cada distrito é especializada a um determinado tipo de produção agrícola segundo o clima e a localização geográfica que varia segundo a sua localização geográfica e do seu relevo.

A. Agricultura

Agricultura
Agricultura Familias camponeses Frequência   Percentual
Produção de arroz 25 1 100%
Produção da mandioca 20 0.8 80%
 Produção de Milho 19 0.76 76%
 Produção de Feijão Manteiga 5 0.2 20%
 Produção Feijão Nhemba 17 0.68 68%
 Feijão Buerre 9 0.36 36%
 Amendoim 18 0.72 72%
 Outro 25  1 100%


Quantos aos camponeses por nós entrevistados, vemos que os 25 camponeses equivalentes ao 100% produzem arroz, 20 equivalentes a 80% produzem mandioca e assim como 19 equivalente a 76% produzem milho. Tudo isso mostra que o arroz, mandioca e milho são os principais produtos cultivados no seio da família camponesa. E entre esses, para além destes que foram por nós inumerados no nosso questionário, conseguimos observar também que muitos dos camponeses produzem hortícolas, beterrabas, tomates, ananás, cana-de-açúcar, bata doce, batata reno, abobara, quiabo, mexoeira e mapira. E um dos limites encontrado nesta respetiva actividade, é que todos os camponeses encontram dificuldades produtivas. E quase todos produzem uma pequena quantidade e que muitas das vezes não é suficiente para nutrir todos os membros da família. E uns dizem tal fator deve-se do facto que esses continuam a praticar uma agricultura do tipo sequeiro que depende do tempo das chuvas. Para além deste fator, os camponeses enfrentam nesta actividade problemas ligados a conservação dos produtos. E de facto alguns produtos de fácil produção e de difícil conservação em ambientes quentes acabam sendo deitados porque os camponeses não possuem lugares de conservação assim como não possuem indústrias de transformação dos respetivos produtos.

B. Cultivo de árvores e plantas de frutas

Cultivo de arvores de fruta
Cultivo de arvores de fruta Familias camponeses Frequência  Percentual
 Bananeira 9 0.36 36%
 Mangueira 25 1 100%
 Larangeira 13 0.52 52%
 Tangerineira 6 0.24 24%
 Papeira 17 0.68 68%
 Limoeiro 12 0.48 48%
 Palma de Coqueiro 19  0.76 76%
 Cajueiro 7 0.28 28%
 Outros 22 0.88 88%


Para muitos camponeses para além das plantas e arvores de fruto que fazem parte do nosso questionário, as famílias camponesas produzem também: ata, abacate. E entre esses a mangueira é uma das árvores mais produzida com 100% dos camponeses, seguido com um total de 76% de produção do coqueiro e 68% de produção de papaia. E um dos limites deste sector produtivo continua a ser o mesmo mencionado precedentemente. É o caso da mangueira, uma arvore sazonal, que por sinal produz uma grande quantidade de frutas, mas esses crescem e amadurem no mesmo instante. E assim sendo muitas frutas de mangas caem na terra e vem recolhidas para o consumo e venda. Todavia, tal fruta carece de compradores visto que nas zonas rurais todos produzem a mesma fruta e difícil encontrar um comprador externo; como tal, muitas frutas são recolhidas e deitadas nas lixeiras. Como por exemplo; em alguns lugares da Zambézia a manga é recolhida e usada para destilar aguardente (catxaço), mas tal actividade ainda não é muito praticado. Pelo motivo que o catxaço de mangas também tem pequeno mercado, visto que muitos preferem o catxaço feito pelas das canas-de-açúcar.

C. Criação de animais

Criação de animais
Criação de animais Familias camponeses Frequência  Percentual
Cabrito 1 0.04 4%
Ovelha 0 0 0%
Coedeiro 0 0 0%
Boi 0 0 0%
Galinhas 24 0.96 96%
Pato mudo e mareco 13 0.52 52%
Porco / Suino 10 0.4 40%
Outro 7 0.28 28%
Nenhuma 1 0.04 4%

A criação de animais na Província é também uma actividade praticada pelos camponeses. Porém entre as várias diversidades animais, na Zambézia os camponeses criam mais galinhas, com um total dos 96% dos camponeses entrevistados praticando tal actividade. E 52% criam patos (marreco e mudo), 40% porco suíno, 4% cabrito. E entre tais actividades vem associado com a criação de 7% de outros tipos de animais como coelho e galinha do mato. E dos elementos chave nesta actividade como já mencionamos é a criação da galinha, e essa é muito importante não somente pelo uso no consumo familiar. De um lado a galinha é levada para venda aos ambulantes de compra da galinha. De um lado a galinha é importante porque os seus ovos também constituem uma grande actividade comercial principalmente nas vésperas das grandes festas, visto que os ovos são úteis para fazer bolos. Todavia a pesar desta sua grande vantagem no seio da família camponesa, os camponeses em todas estações dos anos, principalmente no verão perdem uma quantidade enorme do seu criado, devido a problemática de doenças aviarias, que destrói e elimina muitas galinhas nas famílias camponesas.

D. Actividade de pesca

Actividade de pesca
Actividade de pesca Local da pesca Frequência  Percentual
Mar 1 0.04 4%
Rio 10 0.4 40%
Piscicultrura 1 0.04 4%
Nenhuma 15 0.6 60%

Tudo mostra que a actividade de pesca nas famílias camponesas, é menos praticada. E somente um total de 10 famílias equivalente a 40% dos camponeses praticam actividades da pesca nos principais rios mais próximos. E uma pessoa, equivalente a 4% pratica actividade de pesca devido a sua aproximação do mar; e assim como uma pessoa equivalente 4% pratica actividade de piscicultura. E no total vemos que somente 10 famílias praticam actividades de pesca e tal actividade é feita nos rios mais próximos. O que mostra que as duas famílias uma que faz pesca no mar e uma que pratica actividade de piscicultura fazem parte das 10 famílias que praticam actividades de pesca nos rios. E um número de 15 famílias igual a 60% não praticam actividades de pesca. E este dado pode ser um pouco contraditório. Visto que na Província da Zambézia se consuma mais peixe que a carne, e de facto existe pouca actividade de criação animal. E pouca participação da família em actividades de pescas muitas das vezes obriga as famílias a recorrência de compra de peixes secos que por sinal é a maioria que se encontra no mercado.
b) Entre os trabalhos indicados, você consegue fazer algum trabalho juntos com outras famílias? Se sim, como vem organizado o trabalho e se não porque?
Nesta precisa pergunta vemos que um número de 22 camponeses dos 25 camponeses entrevistados realizam trabalhos de cucumbe. E o cucumbe é uma forma de trabalho que vem organizado por um grupo de famílias para trabalhos de escalas. Esses organizam-se para ajudarem-se uns dos outros. O cucumbe, portanto, é uma forma de trabalho camponês muito praticado na Província da Zambézia, onde duas ou mais pessoas se metem juntos para puderem cultivarem as suas machambas. E essa se pratica por meio de escala, onde por forma rotativa se vai na machamba de um dos elementos que faz parte do sistema cucumbe. Para além desta prática, vemos também que existem formas de associações camponesas; e dos 25 camponeses por nós entrevistados, vemos que somente 4 camponeses fazem trabalhos agrícolas nas várias associações camponesas. E um dos elementos observado durante o nosso estudo é que, enquanto o cucumbe é organizado e controlado por ordem do sistema familiar; a associação camponesa vem organizada e controlada por pessoas externas, como ONG estrangeiras e nacionais assim como algumas entidades religiosas.
c) E quais são as dificuldades e oportunidades do trabalho de grupo com outras famílias?
Quanto a pergunta feita sobre as dificuldades e oportunidades: observamos que quase todos os camponeses que praticam o cucumbe e associação camponesa; enalteceram valores positivos e negativos. Quando as dificuldades do cucumbe, todos os camponeses lamentaram-se que alguns quando se trata de trabalhar nas machambas dos outros; em algumas vezes, uns chegam atrasados no trabalho e uns usam pouca energia, obrigando a largarem cedo mesmo antes de terminar uma determinada porção de trabalho. Todavia o cucumbe trás várias vantagens no seio do trabalho familiar; como a facilidade do trabalho, muitos que fazem por exemplo o cucumbe no trabalho de cultivo de arroz a cada ano conseguem cultivar uma porção de terra significativa capaz a render uma boa economia familiar. Quanto a associação camponesa, também essa tem algumas desvantagens, e para os camponeses que praticam tal actividade, afirmaram que uma delas é que tudo vem gerido por um agente externo e muitas das vezes afrontam a problemática da finalidade dos produtos, principalmente na sua redistribuição. E quanto as suas vantagens: todos recolhessem uma grande assistência seja nos insumos agrícolas e um pequeno acompanhamento formativo, e quase nas associações usam instrumentos de trabalhos mais avançados como o tractor e mais outros.

 

4.2.3. Meios de produção

a) Quais instrumentos vocês usam para o trabalho na agricultura?

Meios de produção na agricultura
Meios de produção na agricultura N° Familias Frequência  Percentual
Enxada 25 1 100%
Catana 25 1 100%
Machado 16 0.64 64%
Foice 22 0.88 88%
Motessera 0 0 0%
Tractor 7 0.28 28%
Tração animal 0 0 0%
Ragador 5 0.2 20%
Motobomba 0 0 0%
Outro 25 1 100%

A pergunta feita sobre os meios de produção que vem usados pelos camponeses nos seus trabalhos cotidianos, vemos que, os camponeses continuam a usar a enxada de cabo curto para o trabalho nas suas machambas. Portanto os 100% usam a enxada e somente 88 % possui a foice, e sabendo que tal instrumento é muito usado no período da colheita do arroz, os restantes 12% continuam a usarem instrumentos para a colheita do arroz como a faca e de modo particular a carroça de caracol. E o uso de instrumentos tradicionais, leva os camponeses dias e semanas para colher uma pequena porção de arroz. Por outro lado, vemos que 28% dos camponeses usam o tractor, malgrado que tal uso necessita de custos muitos elevados. E de facto entre os camponeses por nos entrevistados nenhum deles possui um tractor, e para usar um tractor na própria machamba, cada camponês precisa gastar um valor mínimo de 4500,00 MT., de custo por hectare (ha), um valor que para muitos camponeses não possuem. Tudo isso mostra que os camponeses enfrentam grandes dificuldades para conseguir a produzir uma pequena porção de terra. Um dos camponeses por nos, entrevistado, disse nos que primeiramente ele possuía uma terra equivalente a 10 hectares e nunca tinha conseguido cultivar toda a sua porção de terra. E com o passar dos tempos, esse iniciou a vender terra para algumas multinacionais que operam naquele distrito e actualmente ficou em possesso de 5 hectares da sua terra, mas mesmo assim nunca conseguiu produzir toda ela devido a falta de instrumentos ou meios adequados de produção.

  • b) Quais instrumentos usados para o cultivo de plantas de fruta? (veja 2.4.1.)
  • c) Quais instrumentos usam para a pesca?
Meiois de trabalho da pesca
Meiois de trabalho da pesca N° Familias Frequência  Percentual
Anzol 8 0.32 32%
Redes de pesca 6 0.24 24%
Redes mosquiteiras 8 0.32 32%
Capulanas 2 0.08 8%
Gaiolas 8 0.32 32%
Canoas e remos 3 0.12 12%
Baldes 4 0.16 16%
Aquarios 1 0.04 4%
Outros 3 0.12 12%

Como já dizíamos precedentemente, a pesca não é uma actividade principal para os camponeses por nós entrevistados. Todavia essa faz parte da sua economia sendo praticado ocasionalmente, e a pesca vem feita quando falta o peixe em casa e não havendo dinheiro para comprar tal produto no mercado esses são obrigados a pescar. Uns são aqueles que fazem a pesca porque rodeados pelos vários riachos durante o período de muitas chuvas e alagamento dos principais rios. E tudo isso se reflete nos meios de trabalho usados para esta mesma actividade. E de facto, segundo o nosso estudo no campo vemos que 32% dos camponeses usam anzois para puder pescar e que por sinal tais anzois são caseiros feitos de material de arame e um cabo de caniço ou bambo. Por outro lado, temos 32% dos camponeses que usam as redes mosquiteiras para trabalhos de pesca. E malgrado que tais redes mosquiteiras vem distribuídas pelo governo distrital junto com direção distrital da saúde em parceria de uma ONG internacional, intencionados a combater a problemática da malária no país. Todavia, devido a problemática da pobreza e da insegurança alimentar que assola tal comunidade, as redes mosquiteiras são usadas para outras finalidades. E a cada ano em Moçambique e principalmente nas zonas rurais muitos morrem por causa da doênça da malária.

 

d) Quais instrumentos usam para a criação de animais?

Meios de criação animais
Meios para criação de animais Local de criação Frequência  Percentual
Capoiera 10 0.4 40%
Coral 9 0.36 36%
No ar livre 23 0.92 92%
Outro 5 0.2 20%

Quanto, aos meios usados para a criação animal, vemos que aqui também existem várias dificuldades a criar ou a obter meios adequados para a criação dos vários animais. E como podemos ver os nossos dados na tabela, vemos que 92% dos camponeses não possuem nem coral e nem uma capoeira. E de modo particular para os que fazem criação da galinha deixam as galinhas a viverem ao ar lento e muitas das galinhas dormem nas arvores. E tudo isso pode trazer consequências na sua produtividade, e muitas galinhas quando chega o período da sua reprodução sofrem a individuar lugares seguros por onde depositar os seus ovos. De um lado muitos camponeses lamentaram-se dizendo que em muitas vezes as galinhas no período em que esses fazem os seus pintos, a maioria deles não chegam a crescerem porque são atacados pelas águias. Para além da raposa que ataca também as galinhas já grandes. E tudo isso impede para uma maior produtividade familiar, deixando muitas vezes as famílias com poucos recursos para puder continuar tal actividade no tempo.

 

 

4.2.4. Método de produção

Método de Produção Familias Frequência  Percentual
Tradicional 25 1 100%
Tecnologico 0 0 0%
Ambos 0 0 0%
Numero total 25 1 100%

A pergunta feita sobre método produtivo, vemos que todos os camponeses entrevistados usam um método tradicional de produção. E isso significa de um lado uma vantagem, visto que o método tradicional é atento ao ambiente; e os conhecimentos são transmitidos de geração a geração. Todavia, o método tradicional apresenta limites produtivos quanto aos vários desafios sobre as mudanças climáticas. Para além do corte excessivo das árvores e a queimadura do capim. O método tradicional ainda não consegue responder a problemática da pobreza e da fome dos próprios camponeses. E os camponeses clamam hoje a necessidade de aprenderem novas formas de produção. Um dos camponeses disse nos que precisavam de aprender novas formas produtivas e técnicas, como por exemplo aprender a fazer tanques, para a conservação das águas das chuvas, assim como aprender a produzir novos produtos.

a) Utilizo de fertilizantes

Tipo de fertilizantes Familias Frequência  Percentual
Quimicos 0 0 0%
Natural 11 0.44 44%
Ambos 0 0 0%
Nenhum 14 0.56 56%
Numero total 25 1 100%

Quanto ao uso de fertilizantes, encontramos que 56% dos camponeses produz sem o uso de fertilizantes; e 44% usa fertilizantes naturais feitos por material de capim e fezes das vacas. Tudo mostra que os camponeses fazem pouco uso dos fertilizantes naturais porque uns não sabem como faze-lo. De outro lado encontramos também no nosso estudo que os camponeses ainda não usam fertilizantes químicos porque esses não possuem dinheiro para a compra dos respetivos fertilizantes. É verdade que algumas terras dos camponeses são muito férteis, razoes pelas quais, o uso de fertilizantes não é ainda de estrema importância. Todavia, existem algumas terras que necessitam dos fertilizantes porque essas são terras que foram perdendo a sua fertilidade no tempo. De um lado para além da questão dos fertilizantes os camponeses lamentaram também com a problemática de insectos, e vérmis que destroem as suas produções e não sabem atém então como elimina-los sabendo que, os pesticidas no mercado também custam a preços elevados.

 

4.2.5. A terra de produção:

Questão da terra Familias Frequência  Percentual
Aluguer 10 0.4 40%
Terra familiar 25 1 100%
Outro 8 0.32 32%

Quase todos os camponeses possuem uma terra de propriedade familiar. Porém, nem todos os camponeses produzem somente nas terras de sua propriedade. Existem de facto camponeses, que por motivo da procura de terras férteis, alugam ou emprestam terras dos outros camponeses para puderem continuarem a sua actividade agrícola. De um lado, uns alugam ou emprestam machambas dos outros camponeses, no período em que esses procuram produzir uma determinada produção diversa que por sinal não seria capaz a produzir no seu terreno familiar. Assim sendo existem uns que alugam o terreno para produzirem a batata doce e outras formas de produção sazonal que por sinal aceitam em serem produzidas a um determinado tipo de terreno adequado.

a) Conseguem cultivar toda a terra que tendes em vosso possesso?

Quanto a essa pergunta, todos os camponeses disseram de não, e as causas são várias, uns alegaram a problemática da falta de meios de produção como o tractor, tração animal e outros meios adequados que impedem a produzirem toda a terra em seu possesso. Uns alegaram a problemática das chuvas prolongadas que provocam grandes inundações, de um lado esta a problemática das secas. E para camponeses mais idosos alegaram a problemática da falta dos recursos humanos nos momentos em que os filhos/as se casam deixando os pais com terrenos enormes e por sinal esses não conseguem produzir todo o terreno em seu possesso.

b) Qual é a finalidade da produção?

Finalidade da produção Familias Frequência  Percentual
Consumo familiar 25 1 100%
Troca de produtos 9 0.36 36%
Venda 20 0.8 80%
Outros 18 0.72 72%


Uma das características da economia camponesa é que essa é uma economia de subsistência familiar. E de facto o total de 100% da família usa o seu produto para o seu consumo familiar. Todavia, para além desta característica, os camponeses usam o seu produto para o comercio assim como para a troca com outros familiares. E de facto, 80% praticam actividades de comércio no mercado interno, nas feiras assim como de modo ambulatório. E 36% praticam as actividades de trocas de produtos com outras famílias. E tais actividades verificam-se nas zonas onde há falta do metical. E de facto, por falta do dinheiro, os que não tem um determinado produto vão trocar com o que tem com uma outra família que carece do mesmo produto. Portanto a troca é uma necessidade que as famílias têm em obter um determinado produto alimentar que por sinal eles não possuem. É caso por exemplo, a troca da farinha de milho com a farinha de mandioca. E um grupo equivalente a 72% usa a sua produção em outros âmbitos como a conservação no celeiro para as futuras sementeiras, assim como para o consumo familiar.

 

4.2.6. Comercio

a) Existe um tipo de produção especificamente indicada para a comercialização? Se sim, qual?

 Marcano 15

Para esta pergunta as 21 famílias reponderam dizendo não; o que significa que a maioria das famílias num total de 84% ainda não desenvolveram uma produção de tipo comercial. Esses de facto continuam a produzirem somente para o consumo e vendendo muitas das vezes o que deveria servir somente ao consumo familiar. E somente 4 famílias o que equivale 16% do total de famílias por nos entrevistados responderam dizendo que produzem hortícolas (tomate, couve china, couve tronchuda, cebola, batata reno e alface) com objectivo do mercado. Trata-se de produtos de fácil produção e difícil de conservação, e o que vem produzido é principalmente para a venda, consumando uma pequena parte destes produtos. E muitas das vezes devido as altas temperaturas e sol intenso o que vem produzido não chega no mercado e nem vem consumado, grandes quantidades de produto são deitadas em continuação nas lixeiras.

b) Como vocês organizam a actividade de comércio?

Para alguns, o mercado no sector agrícola familiar vem organizado ocasionalmente, um sai e vai vender o que tem. Enquanto que outros, desenvolveram um sistema de escala de venda. De facto, entre os camponeses organizaram-se em forma de escalas vendendo os seus produtos em forma de escala. Todavia, é preciso também notar que são poucos camponeses que fazem esse trabalho, porque muitos vendem os seus produtos a um grupo de camponeses comerciantes que compram os seus produtos dentro do ambiente rural e vão vender no mercado. São os chamados de camponeses comerciantes. Portanto a venda de escala serve somente aos camponeses compradores e vendedores, e os que produzem raramente frequentam os mercados de modo continuativo.

c) Onde vocês vendem os vossos produtos agrícolas?

Os produtos agrícolas como já dizíamos são vendidos no mercado, nas feiras, nas estradas assim como aos pequenos camponeses que compram os produtos dos camponeses para venderem no mercado. Portanto existem indivíduos das zonas rurais que muitas das vezes não produzem, mas passam a comprar os produtos dos camponeses para venderem nos mercados, e esses são muitas das vezes indivíduos perigosos que agem contra a economia dos camponeses produtores. Esses de facto aproveitam se das dificuldades de mercado que os camponeses vivem e eles mesmo inventam os seus próprios preços convencendo muitos camponeses a venderem os seus produtos em preços cada vez mais baixos.

d) Como vem estabelecidos os preços de venda?

Todos os camponeses a esta pergunta, responderam que não existe nenhum órgão de controle dos preços, cada um vende muitas vezes o que tem com preços baixos ou altos, de acordo com a procura no mercado. Portanto quando a procura é alta os preços são altos, e quando a procura é baixa, também os preços são baixos. E muitas das vezes sabendo que esses não possuem armazéns de conservação dos produtos, essa é obrigada a vender a maioria dos seus produtos para evita-lo de perde-las. E a consequência desta forma de actividade comercial, é que muitas das famílias vendem os seus produtos em preços inadequados, procurando somente liberar-se dos produtos antes que esses apodreçam e venham deitados nas lixeiras. E um dos problemas mais grave no mercado é de facto a falta de compradores e assim como a falta de vias de acesso, de estradas e pontes que possam permitir o escoamento das mercadorias rurais para o mercado urbano.

 

4.2.7. Crises/dificuldades/criticidades

a) Em caso do colapso do preço no mercado, existe uma forma de seguro camponês?

Nesta pergunta, para todos os camponeses responderam que não existem nenhum seguro de preços em caso de colapso no mercado, e cada um muitas das vezes se inventa um preço pessoal somente para se livrar dos produtos que por sinal correriam o risco de apodrecerem e deita-los.

b) Os custos de produção? recebem um subsídio ou são custos familiares?

Quanto aos custos de produção, a maioria dos camponeses acabou afirmando que usa custos familiares. Somente nas associações a família tem mais acesso a ajudas em custos de produção. E para os camponeses que produzem por conta familiar as ajudas são limitadas. Uns disseram-nos que tem recebido algumas ajudas, mas tais ajudas são limitadas em insumos agrícolas, e essas vem distribuídas nos períodos de grandes emergências provocadas pelas chuvas intensas que tem alagado e destruídos todas as produções agrícolas, ou mesmo nos períodos em que se vive de secas prolongadas. E muitas das vezes, alguns camponeses disseram que devido a fome que assola nestes respetivos períodos, uns desses que recebem os insumos agrícolas, usam os mesmos para o seu alimento familiar. E em alguns casos os insumos agrícolas tem apresentado um problema de saúde porque vem empacotados juntos a um produto químico; e deveriam servirem somente a sementeira, mas as famílias usam as mesmas para o seu alimento, mesmo sabendo dos grandes riscos de saúde que os mesmos produtos trazem na vida familiar. De um lado é preciso também sublinhar que, nem sempre tal ajuda tem chegado a todos os camponeses, muitos são aqueles que nunca se beneficiaram de nenhuma ajuda e permanecem cultivando na dependência da sua pequena economia familiar.

c) Quais são as dificuldades que vocês encontram nos trabalhos agrícolas?

As dificuldades para os camponeses são várias, porque dependem do tipo de produção. Embora para todos o problema se notabilize na falta de meios económicos; mas entre esses vemos que para a produção das galinhas quase todos enfrentam a problemática das doenças aviarias que destroem a cada ano o criado familiar. Enquanto que para o trabalho na agricultura, muitos lamentaram-se a falta de tractor ou de tração animal, uns não sabem como fazer fertilizantes naturais; a existência de ratos e pássaros que comem o arroz após a sementeira; a falta de um regadio e um tanque para conservar água das chuvas; de um lado estão as secas prolongadas. E todos os camponeses lamentaram-se da problemática de não ter um instrumento para puder transformar os seus produtos que acabam terminando nas lixeiras; de um lado esta a falta de compradores dos produtos agrícolas. Para além deste fator, os camponeses enfrentam a problemática de transportes para chegar nas machambas, e uns fazem noites nas machambas, isto é para evitar de fazer vaivém, uns deslocam alocando-se nas suas machambas por um período de uma semana ou mesmo de um mês. De um lado foi sublinhado também a falta de técnicas de produção. Assim como a presença de animais venenosos como serpentes que mordem os camponeses no acto das suas actividades agrícolas e de elefantes e outros animais selváticos que destroem a produção familiar. De um lado os camponeses lamentam-se a falta da edução e a falta de condições para educar seus filhos, e uns afirmam a falta de aprendizagem de novas formas produtivas, para além da problemática de transporte para o escoamento dos produtos agrícolas nos principais mercados nacionais.

d) Vocês têm recebido alguma ajuda? Se sim, indicar onde provem tais ajudas.

Subcidio Familiar Familias Frequência  Percentual
Governo 13 0.52 52%
ONG 11 0.44 44%
Empresas 4 0.16 16%
Ente religiosos 6 0.24 24%
Outro 0 0 0%
Nenhum 9 0.36 36%

Quanto a pergunta feita para analisar a existência e a proveniência das ajudas, vemos que 36% dos camponeses não recebem nenhuma ajuda. Porém, um total de 52% de camponeses recebem ajuda por parte do governo, 44% das ONG, e 16% das empresas e 24% dos Entes Religiosos. Todavia, o tipo de ajuda limita-se nos insumos agrícolas; e tais ajudas são distribuídas principalmente nos períodos que sucedem as inundações. E como já dizíamos precedentemente, em muitos casos, o que vem doado como insumo agrícola vem usado diretamente para a alimentação das famílias. É um período em que as famílias vivem na emergência da pobreza e da fome, e o que vem dado como insumo agrícola tem um único objectivo que é aquele do combate a fome. E tudo isso trás dificuldades produtivas futuras, existem famílias que de facto perdem tudo nos períodos de grandes secas e inundações ou outras catástrofes naturais e as ajudas que essas vem feitas para substituir a sua produção muitas das vezes serve direitamente ao consumo. E tudo isso indica a necessidade selecionar o tipo de ajuda para que essa possa saber prosperar e florescer para um futuro produtivo cada vez mais melhor e sustentável.

e) Existe alguma coisa que consideras fundamental para melhor conhecer a realidade da economia camponesa?

Sobre esta pergunta, todos deram a importância e a necessidade de uma escola camponesa, onde cada um deles poderia ter a possibilidade de ser formado para responder aos grandes desafios sobre as novas formas produtivas. Uns mostram a necessidade de encontrar compradores dos seus produtos agrícolas, a necessidade da criação de armazéns de conservação dos produtos. A necessidade da criação de máquinas para a transformação dos produtos como: laranja, mangas, tomates, etc., a falta de meios económicos; ensinar novas variedades produtivas; criação de associações camponeses que possam compartilharem um tractor, oferecendo uma maior assistência formativa. De um lado promover um cucumbe que seja sustentável para a vida dos próprios camponeses que fazem parte. Alguns camponeses afirmaram também a necessidade em apreender novas formas de produção.

 

4.3. Interpretação dos resultados empíricos

Os resultados do nosso estudo, mostram que o sector agrícola familiar de Moçambique, é circundado de grandes desafios sociais, económicos e ambientais. E as famílias que ainda praticam trabalhos agrícolas, a maioria delas o fazem porque não tem outras fontes de rendimento familiar. O trabalho agrícola, portanto, não consegue ainda satisfazer as necessidades alimentares das famílias. E algumas famílias continuam a abandonarem as zonas rurais, indo a procura de outras fontes económicas nas zonas urbanas. Outras são as que percorrem grandes distâncias a procura de terras férteis, algumas vivem meses fora de casa, isto é para evitarem de fazerem viagens cotidianas. Alocando-se nas machambas para puderem cultivarem o arroz e assim como outras formas de produtividades. Todavia, o rendimento continua a ser muito pouco, e não chega a recompensar todo o esforço e a energia utilizada para a produção de qualquer produto alimentar. E nisto tudo esta “a degradação da água, do ar e do solo, a perda de flora e a riqueza da fauna, as alterações climáticas, a própria degeneração do ambiente, são todos fenómenos que continuam a prosseguir e que são em parte irreversíveis, em parte difíceis de recuperar” (Colombo, Farinelli e Valat 1988: 95).

E todos esses factores levam ao abandono familiar do sector agrícola. Algumas famílias de facto, por nós entrevistadas, preferem trabalharem em outros lugares fora do ambiente agrícola e usar o seu salário para a compra dos produtos alimentares no mercado. Todavia, o problema da pobreza ainda continua a preocupar tais famílias. E mesmo sabendo que os produtos alimentares no mercado custam menos em relação ao esforço necessário para produzir mesmo produto. Muitas famílias mesmo trabalhando fora do ambiente agrícola, o que recebem nessas actividades como salário, não é suficiente para a compra dos produtos da primeira necessidade presentes no mercado. E mesmo as famílias com filhos e filhas trabalhando como professores, enfermeiros ou policias no aparelho de estado; o que recebem como salário não é também suficiente para sanar a problemática da pobreza familiar. E tudo isso refere que o custo de vida é muito alto e o salário continua ainda sendo muito baixo. Um outro problema por nós comunicado por parte de 5 famílias por nós entrevistados, é que muitas das vezes os produtos alimentares nas lojas apresentam condições não ideias para a saúde alimentar. E de facto o consumidor neste caso a família, sabe muito pouco sobre a durada e a origem do produto no mercado; e algumas datas das etiquetas são cancelados e contrabandeados e a fiscalização é ainda muita lenta e quase inexistente naquele ponto do país.

O estado, portanto, em que se encontra o sector agrícola familiar, porta ao abandono familiar. E as famílias que trabalham no sector agrícola, continuam sendo as principais vítimas da pobreza e da insegurança alimentar. E o pouco que esses produzem não lhes permitem de prosperar de modo sustentável. E tudo isso, desmotiva as famílias a trabalharem e a empregarem muita energia para ganhar pouco ou quase nada. Razões esses que continuam a levar ao abandono das zonas rurais aumentando o deslocamento para as zonas urbanas. De um lado, o abandono do sector agrícola por parte das famílias leva também a consequências mais elevadas da pobreza e da insegurança alimentar. E o trabalho fora do ambiente agrícola é inferior e quase inexistente seja nas zonas rurais assim como para as zonas urbanas. E tudo isso indica que o sector agrícola mesmo oferecendo menor rendimento, é e continua sendo o sector chave para a renda familiar, mas também a dependência do sector agrícola, acresce o risco de se encontrar armadilhado na pobreza e na insegurança alimentar.

 

4.3.1. Síntese: O nível de instrução familiar

A síntese sobre o nível de instrução familiar mostra que das 25 famílias por nós entrevistados a maioria delas não tiveram nenhuma formação escolar. E umas sabem ler e escrever, e tiveram ensino primário, mas muitos destes não sabem nem escrever o seu próprio nome. E os que tiveram ensino secundário, isto é, famílias que frequentaram a 8ª classe nunca chegaram de concluir os seus ensinos. E algumas famílias tiveram a possibilidade de frequentarem a AEA, isto é, alfabetização e ensino de adultos, mas mesmo assim esses também frequentaram os primeiros 2 anos equivalente a 2ª classe e nunca souberam escrever os seus próprios nomes. E um dos principais factores relatados pelas famílias é que muitos não conseguiram estudar durante a sua infância porque nasceram no período da guerra civil. E naquele período as zonas rurais tinham poucas escolas e distantes de muitas áreas residenciais, e muitas das vezes para chegar nessas escolas o risco de vida era sempre maior, mas também durante a guerra ninguém pensava de ir à escola, mas procurar de produzir algo para a alimentação familiar ou então esperar da ajuda alimentar por parte do governo e parceiros internacionais.

E depois da guerra civil, visto que a maioria das famílias nas zonas rurais não tinham nenhuma escolaridade, foi implementada uma política de escolarização das zonas rurais. E essa visava com o alargamento da extensão escolar, com abertura de novas escolas para as crianças e assim como a abertura de centros para a AEA. Ao início, como vimos o projecto AEA, foi visto como uma política ideal para restituir a educação aos adultos que não tinham acesso ao sistema escolar durante a sua infância. Todavia, as famílias que aderiam tais escolas acabavam por abandonar os centros de formação. E um dos motivos que obrigou as famílias ao abandono destes centros, está a falta de uma motivação interior, mas também tais centros não ofereciam uma estrutura confiável, o ensino aos adultos era confiado aos jovens e adolescentes carentes por sua vez de uma pedagogia educativa. Contudo as famílias, reconhecem a sua carência educativa como um limite que lhes impedem no seu desenvolvimento familiar, seja em evoluir novas técnicas produtivas assim como encontrar trabalhos fora do sector agrícola.

Face a tal realidade, as famílias de facto, vem a importância formativa, mas não, uma educação que segue o programa escolar do país, a que poderia seguir uma criança, isto é, 7 anos de escola primaria e 5 de escola secundaria. O desejo maior das famílias é aquele de aprender novas técnicas produtivas do sector agrícola, aprender novas formas de produção assim como outras formas de trabalho capazes a dar um salário familiar. Essas desejam aprenderem a fazerem qualquer tipo de trabalho, capaz de dar um rendimento familiar e para que esse rendimento possa ser usado para edução escolar das filhas e dos filhos. Se trata, portanto, de incentivar cursos profissionais para famílias, e o conteúdo dos cursos deveria se focalizar a trabalhos e a vida nas zonas rurais. E atendendo e considerando que muitas das vezes as famílias sofrem muitos riscos de produção devido as cheias e secas, seria também necessário incentivar o sector do artesanato familiar. É preciso, portanto incentivar vários sectores de produção nas zonas rurais. Se deve garantir que as famílias adquiram novas habilidades e autonomias produtivas capazes a melhorarem o seu estado social e inovativo em matérias agrícolas e outros sectores como aqueles artesanais. A formação, portanto, no sector familiar deveria oferecer e servir de chave para “modernizar a estrutura tradicional para que possa responder as novas aspirações a um tenor de vida mais alto, adaptando as suas técnicas aos princípios do nosso século” (Turrin 2012: 55).

E essa é a mesma questão afrontada no segundo capítulo quando falamos da necessidade formativa da família no sector agrícola. Aquilo que muitos autores chamam da passagem da economia de informação a economia de conhecimento que se “basa no investimento em treinamento, educação e pesquisa e desenvolvimento, por um lado, e na adoção de inovações tecnológicas capazes de determinar profundas mudanças estruturais na atitude produtiva” (Pulina 2011: 21-40). E tudo isso indica a necessidade em formar uma nova estrutura familiar, atenta aos valores tradicionais e em sintonias com as novas realidades globais. É necessário, portanto valorizar o capital familiar sabendo que esse “desempenha um papel significativo porque afeita a capacidade das populações rurais para se organizarem e apostarem no desenvolvimento” (Nicolosi, Marco, Vincenzo 2011: 141-198). Portanto, não é que as zonas rurais tenham a falta de investimentos, porém essas afrontam a problemática na gestão dos projetos. Um exemplo disto, acontece quando um grupo de camponeses são entregues um tractor, e tal tractor dura pouco tempo devido a falta da sua manutenção, mas também pela falta da formação dos próprios usuários. Um outro exemplo nos foi reportado por um dos camponeses por nos entrevistados, esse mostrou que tinha sido criada uma política de agropecuária organizada pelos camponeses onde algumas famílias foram dadas animais por criar. A cada família podia receber uma copia de animal e após a sua reprodução devia passar a uma outra família. Mas tal projecto teve pouco impacto porque muitas famílias que levavam os animais faziam uso do consumo próprio e não tinham as condições necessárias seja material, económico de saúde e higiene para a sua criação. E tudo isso faz com que as várias políticas de ajudas a famílias camponesas continuam ainda a criar pouca sustentabilidade familiar e social. E investir no sector formativo familiar pode “ajudar os vários grupos a realizar de forma eficaz e eficiente algumas tarefas chave de desenvolvimento, tais como planejamento de avaliação e tomada de decisões, mobilização e gestão de recursos, comunicação e coordenação de actividades, e resolução de conflitos (Nicolosi, et al).

 

4.3.2. Síntese: Vários tipos de trabalhos familiares

A síntese sobre os vários tipos de trabalhos familiares, mostra que as 25 famílias camponesas que tivemos a ousadia de entrevistar, fazem vários trabalhos de natureza agrícola, e esses não têm uma especialidade produtiva. E tudo isso faz com que as famílias produzam tudo o que estiver ao seu alcance dando maior possibilidade aos produtos sazonais. E entre os vários tipos de trabalhos familiares, segundo os dados, mostram que todas as 25 famílias praticam a agricultura como actividade principal da família. E quase todas tem várias plantas de fruta em casa, assim como um total de 24 famílias fazem actividades de criação de galinhas. Tendo ainda uma grande restrição na criação de animais como boi, cabrito, porcos, e somente 1 camponês dos 25 cria boi junto a uma associação familiar. E tudo isso revela a dificuldade familiar em criar animais. Um problema que pode ser ligado com o ambiente, que segundo alguns camponeses disseram que aquela zona não era propicia para a criação de animais. E os animais naquela província são mais criados na zona de Morrumbala, Milanje e Mopeia. O que pode revelar dos porque que o projeto na distribuição de animais para promover tal actividade nas famílias nunca teve um efeito positivo. Por outro lado, a pesca é também uma actividade menos praticada. E a fraca actividade de pesca familiar deve-se pela distância existente das zonas residenciais com os rios e mares, assim como pela pouca produtividade no sector da pesca.

De um lado devido ao fraco aproveitamento dos vários sectores agrícolas; entre as 25 famílias entrevistadas, dos quais 10 homens e 15 mulheres, notamos também que os homens para além de trabalhos agrícolas, esses fazem vários trabalhos fora do ambiente agrícola. Alguns homens por exemplo, fazem trabalhos de táxi de bicicleta, e de um lado, homens e mulheres, também ocupam maior tempo em trabalhos domésticos assalariados. E todos esses trabalhos vão a sorte, porque não oferecem nenhum tipo de contrato e nem vem respeitada nenhuma dignidade e direito do trabalho dos mesmos e o que vem pago como salário é muito pouco e insignificante. Por outro lado, mesmo as famílias que trabalham no aparelho do Estado, o que recebem do seu salário é muito inferior e não satisfaz as necessidades alimentares da família. E um dos factores que leva as famílias a praticarem outras actividades fora do ambiente agrícola familiar, esta como dizíamos no segundo capítulo sobre a questão dos rendimentos decrescentes. A fraca produtividade do sector agrícola, e fracos rendimentos continuam a forçar as famílias a procurarem outras fontes alternativas para fazer face as necessidades económicas familiares.

 

4.3.3. Síntese: Meios e método de produção agrícola

A síntese apurada sobre os meios e métodos de produção, mostram que as famílias camponesas continuam usando instrumentos rudimentares. E tudo isso faz com que esses muitas das vezes não consigam produzir todo o espaço de terra em seu possesso, ou mesmo a levarem muito tempo para puderem realizarem as suas actividades. Fracos meios e métodos de produção são também esses a causa dos rendimentos decrescentes familiares. E quase todas as famílias usam a enxada do capo como instrumento primordial para as suas actividades agrícolas. A maioria usa machado para actividades de corte de arvores e para a deflorestação de algumas áreas para fins agrícolas. De um lado, o trabalho mostra também que as famílias usam o método tradicional. E com o método tradicional, queremos indicar que as famílias, capinam e cultivam com enxadas sem o uso de fertilizantes e técnicas consistentes. E não existe a produção rotatória, isso é, produzir e deixar a terra para alguns anos para permitir que a terra possa recuperar naturalmente a sua fertilidade. Esses não havendo outros lugares de produção se atacam com essa mesma terra até que um dia a terra se canse de produzir. De um lado, se nota constantemente a prática de uso de fogo para queimadura nas machambas para livrar do capim elevado nas machambas. E essa prática tem sido em algumas vezes a grande causa de queimadas descontroladas de arvores nas florestas e para além da destruição de algumas espécies animais.

De um lado, na província existem algumas multinacionais empenhadas no sector agrícola que usam fertilizantes químicos e no seu trabalho agrícola, mesmo no mercado urbano existem fertilizantes químicos a venda. Porém as famílias não conseguem usar fertilizantes químicos porque custam e esses não têm dinheiro para comprara-lo. Sendo assim as famílias produzem com as suas técnicas tradicionais. Com isso não queremos dizer que essa seja a boa metodologia produtiva, mas indicar que entre tal método de produção familiar, existem também algumas usanças que são nocivas ao ambiente. É o caso como dizíamos, o corte excessivo de arvores, queimadas descontroladas, a caça furtiva, são todos esses umas das causas da problemática das mudanças climáticas que por sinal influenciam também no rendimento agrícola familiar. E os desafios actuais que estamos atravessando no pais como a dos ciclones IDAI e Keneth não são nada mais que as grandes consequências das mudanças climáticas. E tudo isso deveria chamar atenção as famílias, é um tempo de refletir e indicar uma via de produção que seja recorrível para todos. E para tal, é preciso saber interagir com todos agentes envolvidos no sector agrícola para juntos podermos procurar e encontrar soluções que oferecem um método produtivo não somente preocupado a uma única variante de tipo económico. Mas um método produtivo preocupado a resolver as várias variantes que sejam económicos, sociais e ambientais. É preciso, portanto, “estudar, avaliar e enfrentar, no presente, as consequências do uso de fontes de energia em que nos baseamos excessivamente e, no futuro, identificar métodos de fornecimento que tenham um impacto menor e menos prejudicial” (Klausner 2008: 33-45).

 

4.3.4. Síntese: A terra de produção

Nesta síntese procurávamos entender se de facto as famílias possuem uma terra ou um espaço físico para a realização das suas actividades produtivas. E fomos encontrar que todas as famílias possuem uma terra de produção que pertence ao seu núcleo familiar. Porém a produtividade de algumas terras depende das estações dos anos, e quando se trata por exemplo de períodos de muitas secas, as famílias que estão nas zonas altas vão a procura de terras por meio de aluguer ou empréstimo nas zonas baixas. E assim também quando se trata de estações de muitas chuvas e inundações as famílias das zonas baixas vão também a procura de zonas altas, alugando ou emprestando terras de outras famílias. E encontramos que, mais de 8 famílias emprestam machambas e outras 10 famílias alugam também machambas. E tudo isso se registra quase na maioria das estações dos anos principalmente nas épocas de produção de arroz que por sinal necessita de água para a sua produção.

E muitas vezes as famílias vivem desesperadas, e para não correrem o risco de perderem a produção a maioria delas preferem tomarem cuidado das duas machambas uma nas zonas altas e uma nas zonas baixas, na espectativa do que será da natureza. E isso leva também a consequências de rendimentos inferiores, onde muitas vezes as famílias estão indecisas e não sabem qual das duas machambas poder empregar maior investimento, visto que não se sabe se será um tempo chuvoso ou de secas.

De um lado, detectamos também a problemática da luta familiar por questões de terras. E a terra na Zambézia é um grande património familiar, porém encontramos também casos de lutas familiares em casos de herdeiro ou herdeira da terra. Existem de facto, famílias que antes possuíam uma grande porção de terra, que, porém, após a morte dos seus parentes esses ficam lutando para a terra e muitas das vezes esses decidem a venderem a terra para dividirem o dinheiro e cada um vai comprar-se uma nova terra em outro lugar longe da sua família. E tudo isso muitas das vezes trás transtornos em termos de renda familiar. E a nova terra é muitas das vezes inferior e tem sido uma terra que também já vinha produzindo e já perdeu a sua fertilidade. E as consequências de tudo isso, são aquelas famílias que tem sim uma terra familiar, mas continuam a procurarem machambas ou espaços para uso em forma de aluguer ou empréstimos. E tudo isso permite a pilhagem de terras por outras pessoas sejam esses indivíduos nacionais que às multinacionais que procuram terras para actividades produtivas. E enquanto que para o aluguer de terra precisa pagar um valor económico estabelecido em cada estação do ano, no empréstimo de terra o beneficiário deve no fim de cada colheira repagar o proprietário da terra com uma quantidade do produto colhido segundo o acordo estabelecido pelos membros familiares envolvidos. E a problemática da terra, obriga muitas das vezes as famílias “a exploração incessante de novas áreas para substituir as terras exploradas” (Howard 2005: 55), ou mesmo aquelas terras que já não podem mais produzirem devido as secas, erosões e inundações.

Em síntese, podemos dizer que devemos incentivar uma nova forma de produção agrícola. Precisamos de educar a família a conservação e advocacia do meio ambiente, na proteção dos ecossistemas. E tudo isso indica que é preciso potenciar o capital familiar para que esses sejam protetores e advogados do planeta, fazendo com que o trabalho agrícola não seja destrutivo, mas de regeneração familiar e ambiental. É preciso saber cortar uma arvore e saber substituí-lo. E sabendo por outro lado, quais são as consequências climáticas e ambientais que a desflorestação pode originar. E um exemplo desta realidade pode ser visto no estudo presentado pela FIDA na Etiópia, que mostra que “o treinamento sobre mudança climática proporcionou aos agricultores mais conhecimento e informação sobre o valor das árvores na mitigação de muitos dos efeitos das mudanças climáticas que suas comunidades enfrentam” (IFAD. 2019. The Value of Indigenous Tree Species in Ethiopia).

E esta é uma prática que precisa ser promovida em muitos lugares no mundo onde se encontram ainda muitas famílias vivendo no desespero e forçados a usarem técnicas produtivas que ao envés de melhorarem os seus rendimentos continuam a reduzirem os seus rendimentos produtivos, acelerando o empobrecimento da terra.

 

4.3.5. Síntese: Actividade de comércio

Os resultados sobre as actividades de comércio mostram que de facto, as famílias praticam actividades de comércio. E mesmo apesar das dificuldades que esses encontram para realizarem actividades comerciais; vemos que a maioria das famílias, praticam actividades de comércio. As famílias de facto fazem actividades de venda de produtos no mercado rural, nas beiras das estradas assim como nas feiras, que vem organizadas semanalmente ou mesmo de modo ambulante. E para além disto as famílias realizam também actividades de trocas de produtos agrícolas. E entre os produtos mais vendidos pela família, constam os produtos de difícil conservação, como: frutas, verduras, legumes; enquanto que os produtos de troca familiar contam produtos de longa conservação como arroz, milho, magagada (mandioca seca). Essa actividade acontece principalmente nos períodos de escassez do produto acompanhados de muita crise alimentar. Portanto quem tem um produto diferente é obrigado a trocar com uma outra família que tem um produto diverso. De um lado, notamos também que a actividade de comércio feito pelas famílias é de tipo clandestino ou por outra ocasional, e esse carece de uma programação estrutural.

As famílias, de facto não vendem porque existem uma demanda alta no mercado, muitas das vezes as famílias até vendem o que eles necessitam para o seu próprio alimento familiar. Trata-se da venda da maior parte do produto que produzem, muitas das vezes porque essa não tem armazéns e condicionadores para a conservação do produto. Razões pelas quais encontramos que, quase todas as famílias mesmo produzindo pequenas quantidades fazem actividades de comércio e sem nenhum objectivo de arrecadar lucros. Mas para evitar de perder os produtos que por sinal devido a temperaturas altas alguns produtos acabam terminando nas lixeiras. E para além de insectos e ratos que atacam e roem os produtos conservados. E existem também casos em que as famílias vendem os seus produtos porque lhes falta algo na família, e usam o dinheiro da venda para a compra de outros bens alimentares, assim como a compra de vestuários.

E tudo isso mostra que o comercio é importante para as famílias, porque ajuda a comprar outros produtos alimentares fornecidos pela zona urbana. De um lado, nota-se também que a problemática dos meios e métodos de produção, assim como a falta de meios de conservação dos produtos após a colheita, leva as famílias a venderem a maior parte do seu produto. E de um lado com escassez da demanda no mercado, o que mesmo devia ser vendido acaba sendo abandonado nas lixeiras e nas ruas. Portanto nem tudo o que vem produzido pelas famílias encontra mercado ou mesmo chega a ser consumado pelas famílias. E tudo isso cria dificuldades a programar-se para as próximas actividades produtivas. E neste modo, a família vem vista como um grupo de pessoas que não sabe capitalizar o seu produto, produzindo de facto para o consumo e venda sazonal. E este é um problema que acompanha a vida e a produtividade familiar. E se nos períodos de grandes secas e cheias acompanhadas de inundações as famílias padecem de insegurança alimentar, é porque essa não soube aproveitar no período em que essa poderia produzir uma boa quantidade e capitalizar o seu produto para os anos posteriores. E isso significa que é necessário que as famílias aprendam e saibam produzir uma boa quantidade quando se trata de períodos de chuvas moderadas, ou mesmo nos anos de abundância.

E sobre essa mesma situação queremos aqui trazer, um exemplo de uma família por nós entrevistado na Maganja da Costa, ele apresentou-nos que tinha uma boa quantidade de sacos de arroz e outra quantidade de magagada, do ano precedente e não tinha intensão a vender porque ele usava os produtos para pagar os seus trabalhadores, isto é de outras famílias que vem a procura de trabalho diários que naquele ponto da Província chamam de “ganyo-ganyo”, e ele não havendo dinheiro paga-lhes em forma de produto. E segundo essa experiência do nosso entrevistado e num diálogo aprofundado, chegamos em afirmar que aquilo que o nosso entrevistado faz pode também ser feito com outras famílias, e nesse caso as famílias deveram esforçarem-se a aumentarem e a empregarem maior investimento de capital e de energia em produtos de longas conservações, como: arroz, feijão, milho, mandioca, amendoim, nos anos em que a terra é fértil e oferece maior produtividade. De um lado as famílias necessitam também aprender a fazerem uso de celeiros para a conservação dos respectivos produtos. E isso não precisa um grande investimento familiar, mas de uma vontade familiar, e como se diz que tudo para sobreviver precisa de ser alimentado, podemos aqui dizer que a pobreza e a fraca produtividade familiar são também alimentadas por um espírito de negligencia familiar.

Se a riqueza cria riqueza, a pobreza também cria pobreza excessiva no seio familiar. E isso não significa que as famílias não enfrentam dificuldades, mas queremos aqui sublinhar que tudo o que for necessário fazer enquanto seres humanos necessitamos de sacrifícios. Sabemos e detectamos muito bem que as famílias enfrentam várias dificuldades nas suas actividades agrícolas. Seja de tipo económico assim como de meios económicos e de meios de produção assim como de proteção dos vários desastres naturais. Todavia, as famílias não devem paralisarem-se e limitarem-se a produzir somente para o consumo e venda que dura apenas um trimestre e passar outros três trimestres no desespero e na insegurança da vida. É preciso que as famílias camponesas da Província da Zambézia aprendam a prosperar e sonhar um futuro diferente a dos seus antepassados. E esperar na ajuda do exterior como muitos dizem, que não podem produzir porque não possuem de ajudas externas e precisam que o governo lhes assista em continuação nunca iram produzir em prospetiva futura. E com isso não queremos dizer que seja errado ajudar as famílias a produzir. Mas queremos aqui deixar ficar que a assistência as famílias camponesas não é a única via do desenvolvimento e do melhoramento do sector agrícola familiar. É preciso que as famílias sabiam elaborar políticas agrícolas autónomas capazes a melhorarem o seu sector produtivo. É necessário que essas aprendam também a organizarem-se em grupos ou em associações; é o caso por exemplo do cucumbe, onde quase um total de 22 famílias fazem tal trabalho de cucumbe. E a entrevista no campo mostrou que o trabalho de cucumbe é muito importante para as famílias. E mesmo não tendo meios económicos para contractar novos trabalhadores, com cucumbe de 2 ou mais famílias ajuda-lhes a produzirem uma enorme quantidade sem gastos adicionais e os benefícios são sempre familiares e não precisam de serem compartilhados.

Portanto a família camponesa precisa de iniciar os trabalhos agrícolas pelo seu próprio investimento, partindo do capital que esses possuem, (terra, capital familiar, conhecimentos tradicionais e etc.)., e em seguida se pode falar de politicas de assistência agrícolas, porque não se pode assistir o que não existe; e o actual estado de assistência familiar nas zonas rurais, muitas das vezes, nos parece que obriga as famílias a praticarem ou a retomarem actividades agrícolas sem nenhuma vontade ou motivação interna dos mesmos. É como se se dissesse és pobre, e não estudaste a única maneira para sobreviver é o trabalho agrícola, e isso continua ainda a mostrar o trabalho agrícola como uma actividade económica dos mais pobres da sociedade e de gente analfabeta. E essa pode ser uma das causas que continua a levar o abandono de muitos jovens nos trabalhos agrícolas. E maior número dos camponeses por nós entrevistado, procuram fazer de tudo para que os seus filhos e filhas não passem a fome trabalhando no sector agrícola, mas para que esses encontrem trabalhos noutros sectores produtivos. E tudo isso nos leva a dizer que, se de um lado esta errada a política de assistência agrícola, por outro lado esta a falta da vontade familiar em trabalhos agrícola. E alguns estão seguros que não podem iniciar nenhuma actividade agrícola sem nenhuma assistência governativa, mas também esses quando vem ajudados não apresentam uma continuidade ao termine do projecto de assistência familiar. Por isso, os camponeses da Província da Zambézia, se precisam prosperar devem iniciarem a acreditarem que tudo lhes é dado e qualquer mudança necessária nas suas vidas dependera do ritmo de vida individual e do inteiro grupo familiar que esses irão decidirem a seguir como um modelo de vida.

 

Conclusão

Apesar dos vários problemas que o sector agrícola familiar, continua sendo o principal sector primário para o desenvolvimento e da segurança alimentar no país. E no país, de modo particular a província da Zambézia, quando se trata de boas épocas e de chuvas moderadas as famílias mesmo produzindo com técnicas e meios rudimentares tem vindo a arrecadar um proveito significativo de produção. De um lado fomos também notando que apesar da grande capacidade produtiva, a maioria das famílias não conseguem produzir quantidades capazes de assegurar a alimentação familiar em longos períodos. Essa continua ainda a produzir para a alimentação e a venda de curto prazo. E tudo isso indica que a família necessita de uma mudança de paradigma, essa não pode produzir para o consumo num dado período de tempo, assim como não basta vender a maior quantidade, para ficar sem nada para o seu próprio alimentos. E muitas das vezes a família é forçada a vender os produtos a preços baixos que por sua vez não recompensam aos investimentos iniciais e da energia gasta para produzir tais produtos. Para tal, é preciso encontrar um equilíbrio entre a demanda e a oferta dos produtos agrícolas, e isso significa saber quando levar os produtos no mercado e como controlar o cenário dos mercados. De um lado, implicaria a necessidade em saber organizar-se e saber produzir boas quantidades e qualidades e sabendo conservar tais produtos para alimentação de longo termine, assim como a sua venda nos momentos em que a demanda é alta. Assim como seria também necessário criar nas zonas rurais um sistema de agroturismos, para permitir que muitos conheçam a especialidade produtiva das famílias daquele ponto do país.

E tudo isso poderia ajudar a promover os produtos familiares daquela região e assim como a incentivar aquelas famílias que já perderam a vontade em trabalhar no sector agrícola. De um lado, levaria a considerar o sector agrícola familiar como a chave ideal para o desenvolvimento e da segurança alimentar daquelas famílias que vivem naquele ponto do país. Portanto, o sector agrícola familiar, bem organizado, pode “fornecer trabalho de qualidade e dignidade para o qual é perigoso renunciar, tanto para o trabalhador individual assim como para o país” (Berry 2015: 59). E para tal, é necessário a elaboração de uma nova estratégia operativa em prol das famílias camponesas. É necessária uma mudança de paradigma, sabendo que ela só não ira desenvolver, mas também isso não significa tratar dos camponeses como mendicantes, mas um saber cooperar para uma nova identidade camponesa. E “é ilusório pensar que a agricultura pode se tornar sustentável ao se adaptar aos termos impostos pela economia. É impossível, porque esses termos não são dele, e a economia agrícola actual visa a exploração rápida e de curto prazo, certamente não a sustentabilidade” (Berry 2015: 96). Portanto nunca se resolverá a problemática do sector agrícola familiar sem uma verdadeira inversão de marcha, a nova tendência necessitara de uma atenção social e ambiental do contexto. E para tal, é preciso criar políticas agrícolas capazes a prosperar no seio ambiental e familiar.

 

Isaias Rofino Marcano

 

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