{"id":2624,"date":"2020-06-01T12:00:00","date_gmt":"2020-06-01T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.oikonomia.it\/?post_type=articolo&#038;p=2624"},"modified":"2026-04-18T23:56:21","modified_gmt":"2026-04-18T21:56:21","slug":"o-sector-agricolo-familiare-em-mocambique","status":"publish","type":"articolo","link":"https:\/\/www.oikonomia.it\/en\/2020\/giugno\/o-sector-agricolo-familiare-em-mocambique\/","title":{"rendered":"O sector agr\u00edcolo familiare em Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p>CAP. IV. Observa\u00e7\u00e3o e entrevista aos camponeses familiares na Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia (dezembro 2018 \u2013 janeiro 2019)<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O presente cap\u00edtulo focaliza-se no estudo dos principais desafios e oportunidades que o sector agr\u00edcola familiar atravessa no seu dia a dia. E para realizar tal estudo tivemos que formular um question\u00e1rio que sintetiza, e procura aprofundar sobre as principais dificuldades e oportunidades que os camponeses atravessam no seu trabalho cotidiano. E sabendo que o pa\u00eds \u00e9 vasto geograficamente; o estudo se concentrou na Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia. Todavia, o estudo, pretende abrir-se a toda a realidade mo\u00e7ambicana visto que, em todo o territ\u00f3rio nacional a maioria das fam\u00edlias vive nas zonas rurais e essa depende do sector agr\u00edcola familiar como a \u00fanica fonte de rendimento familiar.<\/p>\n<p>E num momento em que as novas pol\u00edticas globais sobre o sector agr\u00edcola promovem pol\u00edticas que visam o despertar do mundo familiar para fazer face a problem\u00e1tica da pobreza e da inseguran\u00e7a alimentar no mundo. Como o caso da FAO, que recentemente continua a publicar v\u00e1rios escritos em favor da agricultura familiar, sublinhando atentamente o seu valor no desenvolvimento de muitas comunidades rurais. E o nosso estudo procura abra\u00e7ar esta mesma linha de pensamento, observando a vida cotidiana dos camponeses e terminando com a entrevista individual de tipo padronizado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.1. Um olhar a prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia<\/strong><\/p>\n<p>Zamb\u00e9zia \u00e9 a segunda Prov\u00edncia mais grande do pa\u00eds em termos de superf\u00edcie e segundo o n\u00famero dos habitantes; e encontra-se \u201csituada na regi\u00e3o centro de Mo\u00e7ambique. A sua capital \u00e9 a cidade de Quelimane, localizada a cerca de 1600 km ao norte de Maputo, a capital do pa\u00eds. Com uma \u00e1rea de 103 478 km\u00b2, est\u00e1 dividida em 22 distritos, e possui, desde 2013, 6 munic\u00edpios: Alto Molocu\u00e9, Guru\u00e9, Maganja da Costa, Milange, Mocuba e Quelimane\u201d (Portal do Governo da Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia). E j\u00e1 o seu distanciar-se com a capital nacional pode explicar tamb\u00e9m o estado social da Prov\u00edncia, e de facto, essa se encontra ainda mergulhada numa pobreza estrema. A maioria da popula\u00e7\u00e3o principalmente crian\u00e7as e idosos morrem marginalizados pela pouca assist\u00eancia educativa, sanit\u00e1ria e alimentar. E quase a maioria dos distritos desta Prov\u00edncia a sua popula\u00e7\u00e3o vive na falta de \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>E nos \u00faltimos anos Dire\u00e7\u00e3o Nacional das \u00c1guas e a FIPAG, continua a fazer grandes trabalhos de abertura de grandes po\u00e7os para permitir o abastecimento da \u00e1gua no pa\u00eds. Mas mesmo exportando essa tal \u00e1gua nas profundidades dos v\u00e1rios rios das zonas rurais, a comunidade rural continua a percorrer quil\u00f3metros para obter \u00e1gua pot\u00e1vel. Portanto as cidades j\u00e1 possuem quase todas a \u00e1gua pot\u00e1vel, e mesmo sabendo que aquela \u00e1gua sai das zonas rurais, por\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o que vive nas zonas rurais continua vivendo sem \u00e1gua pot\u00e1vel. E muitos professores das escolas prim\u00e1rias principalmente das zonas rurais encontram dificuldades sobre como enfrentar alguns temas did\u00e1ticos, como por exemplo o estado das \u00e1guas. E de facto os livros dizem que a \u00e1gua \u00e9 insipida, incolor e inodora. Infelizmente o estado das \u00e1guas das zonas rurais usado para o consumo apresenta v\u00e1rias cores, \u00e9 s\u00e1pida e nodoara.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que nos \u00faltimos anos, gra\u00e7as a investimentos estrangeiros foram levados acabo projetos de abastecimento de \u00e1gua nas zonas rurais, com abertura de po\u00e7os de grandes profundidades. Mas tais po\u00e7os muitas vezes criam conflitos entre as fam\u00edlias, muitas das vezes \u00e9 um po\u00e7o deixado para uma inteira localidade e devido a necessidade crescente por parte das fam\u00edlias e da car\u00eancia da \u00e1gua que se vive nas zonas rurais, principalmente no ver\u00e3o, os po\u00e7os n\u00e3o duram muito tempo e as fam\u00edlias depois de alguns meses encontram-se na mesma situa\u00e7\u00e3o. E muitas das vezes os po\u00e7os faltam de uma sola e ningu\u00e9m sabe substituir ou mesmo porque falta do dinheiro para a compra de uma pequena ferramenta em falta. E para al\u00e9m da falta de \u00e1gua pot\u00e1vel, a Prov\u00edncia apresenta uma enorme problem\u00e1tica de pobreza e de fome; na Prov\u00edncia ainda muitos morrem pela problem\u00e1tica de fome e malnutri\u00e7\u00e3o. Portanto as pessoas nas zonas rurais sofrem de v\u00e1rios problemas, e muitas das vezes devido o multiplicar-se dos problemas nas zonas rurais, tem sido dif\u00edcil diagnosticar a verdadeira causa de \u00f3bitos de muitas pessoas.<\/p>\n<p>Por outro lado, a prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia sofre em todas as \u00e9pocas de desastres naturais como por exemplo, secas prolongadas assim como inunda\u00e7\u00f5es que deixam muitas fam\u00edlias desalojadas, comprometendo todas as suas actividades agr\u00edcolas. E de facto a cada ano, os caudais dos rios Zambeze e Licungo s\u00e3o muito alto, e alagam as casas e as machambas destruindo todos os produtos agr\u00edcolas e deixando as fam\u00edlias bloqueadas em fazer qualquer actividade agr\u00edcola. E muitas das vezes \u00e9 preciso a interven\u00e7\u00e3o de helic\u00f3pteros para a salva\u00e7\u00e3o de muitas vidas humanas. E devido a tais situa\u00e7\u00f5es, a pol\u00edtica do governo continua a trabalhar para a cria\u00e7\u00e3o de novos centros de reassentamento para alojar as fam\u00edlias, isto \u00e9, criando novos bairros nas zonas mais altas. Todavia as fam\u00edlias depois das cheias terminarem regressam nas zonas baixas a procura da fertilidade do terreno visto que as novas terras por esses reassentadas n\u00e3o oferecem melhores condi\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas. E tal problem\u00e1tica passou a ser vicioso e se repete em todos os anos, principalmente no per\u00edodo chuvoso acompanhado de muitas inunda\u00e7\u00f5es. E j\u00e1 nos meados de 2019, as chuvas, inunda\u00e7\u00f5es e ciclones afeitaram drasticamente a Prov\u00edncia, os estudos feitos no campo mostraram que \u201c43.205 pessoas foram afeitadas, com um n\u00famero de 4 mortos; e 3.090 casas totalmente destru\u00eddas, 286 salas de aulas afeitadas e a maioria destru\u00eddos e 78.627 ha de lavouras inundadas afeitando 52.210 pequenos agricultores\u201d (Mozambique: Flooding Office of the Resident Coordinator \u2013 Flash update No. 3 2019: 2).<\/p>\n<p>E tudo mostra que a maioria das pessoas afeitadas s\u00e3o fam\u00edlias camponesas e que dependem somente de trabalhos agr\u00edcolas para o seu bem-estar familiar e social. E os grandes problemas clim\u00e1ticos criam constrangimentos na vida dessas fam\u00edlias acelerando a problem\u00e1tica da pobreza de pessoas que j\u00e1 se encontravam na vulnerabilidade. E j\u00e1 como diz\u00edamos as chuvas e inunda\u00e7\u00f5es de 2019, desalojaram muitas fam\u00edlias, e \u201cexistem pelo menos 6.542 pessoas deslocadas e hospedadas em 11 centros de tr\u00e2nsito. Dentro das popula\u00e7\u00f5es afeitadas, foram identificados grupos vulner\u00e1veis num total de 894 pessoas, das quais 683 s\u00e3o crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s e 165 idosos\u201d (Mozambique: Flooding Office of the Resident Coordinator \u2013 Flash Update No. 3 2019: 2). Portanto como podemos ver os problemas que vivem as fam\u00edlias principalmente das zonas rurais s\u00e3o enormes. E malgrado que esses problemas se repetem quase todos anos e nas mesmas \u00e9pocas, variando somente a sua intensidade. E de facto, todos anos a Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia sofre de v\u00e1rias inunda\u00e7\u00f5es, ciclones e secas. E o governo vem dobrando esfor\u00e7os juntos com v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias apoiando as pessoas afeitadas. Todavia tais esfor\u00e7os se limitam na ajuda alimentar e na entrega de novos insumos agr\u00edcolas. E a cada ano se repetem os riscos clim\u00e1ticos e o governo por meio do Instituto Nacional de Gest\u00e3o de Calamidades, junto aos parceiros internacionais, continuam a percorrerem as mesmas fontes; isto \u00e9, na distribui\u00e7\u00e3o de comida e kits de insumos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Se pode dizer, que se vive j\u00e1 sabendo o que ir\u00e1 acontecer no pa\u00eds no intervalo dos anos entre outubro e mar\u00e7o, per\u00edodos de grandes chuvas e ciclones e pouco se faz ainda para prevenir tais desastres naturais. E se gasta maior valor econ\u00f3mico para sanar os danos temporais. Em Mo\u00e7ambique durante o per\u00edodo das inunda\u00e7\u00f5es e ciclones estamos habituados a distribuir comida as pessoas afeitadas nos centros de reassentamento e n\u00e3o conseguimos repor as infraestruturas destru\u00eddas pelas chuvas. Um exemplo desta realidade \u00e9 o caso da ponte do rio Licungo que liga a sede distrital da Maganja da Costa com a estrada nacional que se encontra destru\u00edda desde das chuvas e inunda\u00e7\u00f5es de 2016. Portanto a Prov\u00edncia sofre v\u00e1rios problemas, e se de um lado as cheias e ciclones destroem e alagam os campos de produ\u00e7\u00e3o. Por outro lado, no mesmo per\u00edodo, os principais produtos alimentares no mercado aumentam de pre\u00e7os de modo clandestino. E tudo isso, deve-se a problem\u00e1tica das cheias e ciclones que cortam todas as vias de circula\u00e7\u00e3o deixando as fam\u00edlias desalojadas e armadilhadas sem nenhum contacto externo. \u00c9 tempo, portanto de come\u00e7armos a analisar e estudar que a cada ano o pa\u00eds perde muitas vidas humanas e assim como hectares de terras destru\u00eddos e o tipo de ajuda que vem dado as fam\u00edlias no per\u00edodo de emerg\u00eancia serve somente para aquele per\u00edodo de emerg\u00eancias; s\u00e3o ajudas, portanto, que n\u00e3o conseguem suscitar uma prosperidade nas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>E a problem\u00e1tica clim\u00e1tica em Mo\u00e7ambique continua sendo a cada ano o grande mal para muitas fam\u00edlias e um sistema de alarme para todo o pa\u00eds. Na primeira quinzena de mar\u00e7o, por exemplo o ciclone Idai, que se verificou em Mo\u00e7ambique acabou destruindo quase uma inteira cidade da Beira. E segundo o discurso do Presidente da Rep\u00fablica de Mo\u00e7ambique Filipe Nyusi, no dia 18 de mar\u00e7o apontava j\u00e1 previs\u00f5es \u201cde mais de 1000 pessoas mortas e mais de 400 mil pessoas que corriam o risco de vida\u201d. E para al\u00e9m disto, o ciclone Idai, destruiu tamb\u00e9m milhares de hectares de terras e de produ\u00e7\u00e3o de muitas fam\u00edlias que por sinal depende da mesma para a sua sobreviv\u00eancia. E tudo isso mostra que o ano de 2019 ficou totalmente comprometido. Mo\u00e7ambique e principalmente a zona centro e norte correm o risco de grande pobreza e fome e o insurgir de muitas doen\u00e7as como a diarreia, c\u00f3lera, etc. As inunda\u00e7\u00f5es e ciclones registrados naqueles pontos do pa\u00eds comprometeram toda a produtividade de inteiras fam\u00edlias, assim como para aqueles de fazendas bem equipadas tecnologicamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.1.1. O potencial agr\u00edcola da prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia<\/strong><\/p>\n<p>A prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia foi sempre vista desde dos tempos coloniais como um grande centro comercial de v\u00e1rios produtos agr\u00edcolas. E j\u00e1 a partir dos anos, \u201c1870, come\u00e7aram a estabelecer-se em Quelimane v\u00e1rias companhias europeias, j\u00e1 n\u00e3o interessadas em escravos, nem em marfim, mas sim em oleaginosas \u2013 amendoim, gergelim e copra, muito procuradas nas ind\u00fastrias rec\u00e9m-criadas de \u00f3leo alimentar, sab\u00f5es e outras\u201d (Portal do governo da prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia). E mesmo nos anos ap\u00f3s a independ\u00eancia a Prov\u00edncia foi sempre vista como um dos principais futuros celeiros do pa\u00eds. E de facto logo ap\u00f3s a Independ\u00eancia o primeiro presidente de Mo\u00e7ambique, Samora Machel, sonhava em transformar a Prov\u00edncia em um dos celeiros nacional e um grande centro de comercio de produtos agr\u00edcolas. E naquele per\u00edodo via-se o distrito de Mocuba como um porto terrestre, onde todos os produtos agr\u00edcolas deveriam serem comercializados, armazenados e redistribu\u00eddos para outros pontos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>E mesmo ate aos nossos dias, a Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia continua sendo um grande patrim\u00f3nio nacional, em termos de produtividade agr\u00edcola. A Prov\u00edncia apresenta de facto, um clima diversificado e favor\u00e1vel para a produtividade de uma vasta gama de diversidade de produtos. E o sector agr\u00edcola, continua ainda a depender do capital familiar, e ainda na mesma prov\u00edncia a maioria da popula\u00e7\u00e3o vive ainda nas zonas rurais. E a maioria desta popula\u00e7\u00e3o vive de trabalhos agr\u00edcolas e muitos deles t\u00eam grandes por\u00e7\u00f5es de terras com boas qualidades produtivas. E quando se trata de boas \u00e9pocas acompanhadas de chuvas moderadas a prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia tem vindo a satisfazer a necessidade alimentar de muitas fam\u00edlias. E a maioria da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola depende tamb\u00e9m do trabalho das fam\u00edlias camponesas. Todavia apesar deste seu grande patrim\u00f3nio agr\u00edcola, na prov\u00edncia ainda uma minoria, conseguem produzir para o consumo familiar e assim como para a venda, enquanto que a maioria mesmo havendo boas por\u00e7\u00f5es de terras ainda n\u00e3o conseguem cultivar uma quantidade suficiente que chegue para seu consumo familiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.1.2. O processo de sele\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias<\/strong><\/p>\n<p>A Prov\u00edncia \u00e9 de grande import\u00e2ncia para o nosso estudo, devido as facilidades da l\u00edngua local; e de facto para al\u00e9m do portugu\u00eas considerado como a l\u00edngua oficial do pa\u00eds, existem tamb\u00e9m muitas l\u00ednguas nativas e por sinal muitos camponeses n\u00e3o falam portugu\u00eas e se comunicam gra\u00e7as as v\u00e1rias l\u00ednguas nativas. E partindo desta realidade, achamos conveniente focalizar a nossa \u00e1rea de estudo nas zonas da l\u00edngua chuabo, visto que apresentamos pequenas dificuldades na compreens\u00e3o do Lomu\u00e9 e Sena, que s\u00e3o outras l\u00ednguas faladas na prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia. Contudo, mesmo apesar da tal diverg\u00eancia lingu\u00edstica, na prov\u00edncia assim como no pa\u00eds, tudo mostra que a problem\u00e1tica, em que se encontram os camponeses afeitam todos os distritos da prov\u00edncia, assim como todas as prov\u00edncias do pa\u00eds, raz\u00f5es pelas quais, o nosso estudo poder\u00e1 servir de resposta para a problem\u00e1tica provincial assim como aquele inteiro pa\u00eds.<\/p>\n<p>E a sele\u00e7\u00e3o destas fam\u00edlias baseou-se, em individuar fam\u00edlias que praticasse e vivessem somente de actividades agr\u00edcolas. E para tal foi preciso o uso dos nossos conhecimentos no campo, onde tivemos a possibilidade de contactar o Bispo da Diocese de Quelimane que, por sinal este indicou-nos algumas pessoas por contactar. Como o caso do senhor Jamal, que \u00e9 o respons\u00e1vel da miss\u00e3o de Namacurra e esse conseguiu comunicar aos membros da sua miss\u00e3o acerca do nosso estudo em causa, e assim sucessivamente para os outros distritos da Maganja da Costa e Nicoadala. E tais distritos de facto, vivem e depende de actividades agr\u00edcolas como a \u00fanica fonte de redito. E o trabalho de pesquisa foi realizado nos dias 15 de dezembro de 2018, no distrito de Nicoadala, nos dias 20 de dezembro tamb\u00e9m do mesmo ano no distrito da Maganja da Costa e nos dias 5 de janeiro de 2019 no distrito de Namacurra. Das fam\u00edlias selecionadas, as 6 do distrito da Maganja da Costa, foram selecionadas gra\u00e7as ao contacto direito que tivemos com aquela fam\u00edlia desde o in\u00edcio da nossa pesquisa principalmente em 2016 durante a nossa visita naquele distrito, onde mantivemos as nossas rela\u00e7\u00f5es com aquelas respectivas fam\u00edlias que por sinal vive somente de trabalhos agr\u00edcolas. Quanto as 5 fam\u00edlias do distrito de Nicoadala, conseguimos entrar em contacto com essas fam\u00edlias gra\u00e7as a trabalhos agr\u00edcolas que v\u00ednhamos efetuando naquele distrito no ano de 2012. Enquanto que as 14 fam\u00edlias do distrito de Namacurra tivemos o seu contacto gra\u00e7as ao respons\u00e1vel da Miss\u00e3o da Paroquia do mesmo nome. E o trabalho de pesquisa naqueles distritos foi realizado no per\u00edodo ou no intervalo de muitas chuvas no pais. Per\u00edodo por outro lado, em que as fam\u00edlias camponesas est\u00e3o fazendo a sementeira de arroz, e assim como da colheita do ananas, batata doce, e das mangas.<\/p>\n<p>Entre os distritos por nos estudados devemos aqui dizer que foi f\u00e1cil chegar nos distritos de Nicoadala e Namacurra devido ao f\u00e1cil acesso que liga as principais vilas distritais com a Cidade de Quelimane. E por outro lado, foi t\u00e3o dif\u00edcil chegar no distrito da Manganja da Costa devido ao desabamento da ponte do rio Licungo que liga aquele distrito com a estrada nacional. E devido a tal efeito fomos obrigados a usar uma estrada alternativa que por sinal \u00e9 mais longa e de dif\u00edcil acesso. E um dos aspectos comum destes distritos \u00e9 que todos encontram-se nas zonas planas da prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia e tem quase a mesma especialidade produtiva. E um dos produtos mais cultivados \u00e9 o arroz e a mandioca. E um outro aspecto, \u00e9 que esses distritos sofrem os mesmos problemas e dificuldades produtivas; no ver\u00e3o todos sofrem grandes secas e nos tempos chuvosos esses s\u00e3o v\u00edtimas de grandes cheias e inunda\u00e7\u00f5es que acabam destruindo as casas feitas de material prec\u00e1rio inclusive toda a sua produtividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.1.3. Entrevista por meio de um question\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>O estudo de pesquisa de campo foi realizado recorrendo a metodologia de entrevista individual de tipo padronizado. De princ\u00edpio partimos com a ideia de um focus group, visto como um m\u00e9todo f\u00e1cil e r\u00e1pido. Todavia vendo o contexto em causa, vemos que em muitos lugares, homens e mulheres vivem de trabalhos agr\u00edcolas, e colocar essas pessoas no mesmo lugar para um focus group, levaria o risco de obter mais respostas dadas pelos homens que pelas mulheres. Trata-se de uma cultura onde muitas mulheres por quest\u00f5es culturais em frente dos homens devem ficarem mais silenciosas. Portanto n\u00e3o queremos aqui dizer que a entrevista pessoal seja a mais ideal que uma entrevista pelo focus group, por\u00e9m deixar presente que muitas das vezes \u201co entrevistado ou o participante numa discuss\u00e3o em certas situa\u00e7\u00f5es pode sentir-se mais livre, portanto mais dispon\u00edvel a fornecer noticias que duma outra forma n\u00e3o comunicaria nenhum estranho\u201d (Acocella 2008: 18). E isso pode acontecer devido a factores j\u00e1 mencionados assim como pela falta de intera\u00e7\u00e3o entre os membros que fazem parte do grupo.<\/p>\n<p>Portanto, a entrevista individual \u00e9 para n\u00f3s, um m\u00e9todo ideal para o nosso estudo em causa. E tal entrevista foi realizada de modo \u201cpadronizado precisamente porque todos os entrevistados s\u00e3o postos a mesmas perguntas e, na maioria das vezes, todos t\u00eam as mesmas possibilidades de resposta\u201d (Bichi 2007: 43). E tal entrevista foi realizada envolvendo as 25 fam\u00edlias camponeses da Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia, nomeadamente 14 do distrito de Namacurra, 6 do distrito da Maganja da Costa e 5 de distrito de Nicoadala. E tais camponeses compreendem homens e mulheres dos quais a sua idade compreende dos 31 anos aos 62 anos. E a entrevista foi realizada iniciando por uma explica\u00e7\u00e3o aos camponeses sobre o argumento por tratar e explicando a todos os presentes a finalidade desta mesma entrevista. E terminada esta fase procuramos de dispersar os camponeses, e iniciamos a chamada individual, em que vinha feita a entrevista iniciado da primeira a \u00faltima pergunta que faziam para do question\u00e1rio por n\u00f3s proposto. E como j\u00e1 diz\u00edamos precedentemente, devido a dificuldade da l\u00edngua portuguesa por parte de alguns camponeses, a entrevista foi realizada a valendo-se das duas l\u00ednguas, portugu\u00eas como a l\u00edngua oficial e uso do chuabo nos casos em que fosse necess\u00e1rio. E depois da recolha dos dados, procuramos analisar os dados recorrendo a estudos de estat\u00edsticas para a analise dos resultados. E procuramos de apresentar numa equival\u00eancia decimal de duas percentagens. E para tal foi tamb\u00e9m necess\u00e1rio o uso de tabela, assim como um uso menor de gr\u00e1ficos. E algumas perguntas foram abertas e outras perguntas fechadas. E cada campon\u00eas foi colocada a mesma pergunta, e as respostas foram recolhidas e analisadas atentamente de acordo a nossa hip\u00f3tese inicial.<\/p>\n<p><strong>4.2. Apresenta\u00e7\u00e3o e analise dos resultados<\/strong><\/p>\n<p>Este trabalho de pesquisa no campo serviu-se de um question\u00e1rio dividido em sete sec\u00e7\u00f5es. A primeira sec\u00e7\u00e3o tinha como objectivo estudar a composi\u00e7\u00e3o familiar e o tipo de instru\u00e7\u00e3o por cada n\u00facleo familiar. E segunda sec\u00e7\u00e3o concentrou-se em estudar dos tipos de trabalhos agr\u00edcolas que as fam\u00edlias fazem no seu dia a dia. A ter\u00e7a sec\u00e7\u00e3o estuda o tipo de meios agr\u00edcolas que as fam\u00edlias utilizam nas suas actividades agr\u00edcolas. E a quarta sec\u00e7\u00e3o estuda o m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o que a fam\u00edlias camponesas seguem para a pr\u00e1tica dos seus trabalhos no campo. A quinta sec\u00e7\u00e3o estuda a quest\u00e3o da terra, isto \u00e9, procura ver a possibilidade que a fam\u00edlia tem no acesso da terra para a realiza\u00e7\u00e3o dos trabalhos agr\u00edcolas. Na sexta sec\u00e7\u00e3o o nosso question\u00e1rio concentrou-se em estudar e aprofundar a quest\u00e3o do mercado no sector agr\u00edcola familiar procurando solucionar os desafios que concernem nesta respetiva \u00e1rea. Na s\u00e9tima e \u00faltima sec\u00e7\u00e3o estuda as criticidades que as fam\u00edlias encontram no seu trabalho e quais formas de ajudas que essas recebem em caso de dificuldades no rendimento agr\u00edcola, procura saber se existe o acesso ao cr\u00e9dito familiar assim como a exist\u00eancias de outras formas de ajudas agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.2.1. Composi\u00e7\u00e3o familiar<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) Quantas pessoas vivem contigo na mesma casa?<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\"><strong>\u0421omposi\u00e7\u00e3o familiar de 25 camponeses\u00a0 \u00a0\u00a0<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>\u00a0Familias por idade<\/strong><\/td>\n<td><strong>\u00a0Familias por idade<\/strong><\/td>\n<td><strong>\u00a0Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual\u00a0<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Crian\u00e7as de (0-11 anos)<\/td>\n<td>\u00a031<\/td>\n<td>\u00a00.2<\/td>\n<td>20%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Adoslescentes (12-18 anos)<\/td>\n<td>48<\/td>\n<td>0.31<\/td>\n<td>31%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Jovens (18-35 anos)<\/td>\n<td>38<\/td>\n<td>0.25<\/td>\n<td>25%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Adultos H e M (&gt;35 anos)<\/td>\n<td>36<\/td>\n<td>0.24<\/td>\n<td>24%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>\u00a0Numero total de pessoas<\/strong><\/td>\n<td><strong>153\u00a0<\/strong><\/td>\n<td><strong>1<\/strong><\/td>\n<td><strong>100%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Nesta primeira pergunta, t\u00ednhamos como objectivo, aquele de querer saber o n\u00famero de crian\u00e7as, adolescentes jovens e adultos que comp\u00f5e a cada respectiva fam\u00edlia. E olhando para os nossos dados prelevados no seio das 25 fam\u00edlias; acabamos observando que a cada fam\u00edlia \u00e9 composta por um n\u00famero elevado de pessoas. E entre esses os adolescentes e jovens das 25 fam\u00edlias fazem um total de 48 pessoas equivalente a 31%. Enquanto que os jovens fazem um total de 38 pessoas equivalentes a 25%; adultos 36 equivalentes a 24% e por \u00faltimas crian\u00e7as com um total de 31 pessoas equivalente a 20%. E atendendo e considerando a import\u00e2ncia do capital humano no sector agr\u00edcola familiar, podemos dizer que as fam\u00edlias comp\u00f5em um capital ideal para a actividade agr\u00edcola. E de facto com uma enorme por\u00e7\u00e3o de terra, os adolescentes e jovens servem como a principal for\u00e7a de trabalho nas diversas actividades agr\u00edcolas. A nossa pesquisa tamb\u00e9m notou que a maioria das crian\u00e7as s\u00e3o netos e netas frutos de algumas gravidezes indesejadas ou mesmo crian\u00e7as de alguns casamentos prematuros. Em outros casos encontramos tamb\u00e9m n\u00facleos familiares mais grandes com sogros e sogras vivendo no mesmo quintal da casa dos seus parentes.<\/p>\n<p><strong>b) Voc\u00ea pratica algumas actividades fora do sector agr\u00edcolas?\u00a0<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\"><strong>Actividades fora do ambiente agricola\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>\u00a0Tipo de nTrabalho<\/strong><\/td>\n<td><strong>Familias<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequencia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Taxi de bicicleta<\/td>\n<td>2<\/td>\n<td>0.08<\/td>\n<td>8%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Professor<\/td>\n<td>2<\/td>\n<td>0.08<\/td>\n<td>8%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Enfermeiro<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>0.04<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Policia<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Outros<\/td>\n<td>20<\/td>\n<td>0.8<\/td>\n<td>80%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>\u00a0Total<\/strong><\/td>\n<td><strong>25<\/strong><\/td>\n<td><strong>1<\/strong><\/td>\n<td><strong>100%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Nesta pergunta, t\u00ednhamos como objectivo principal, saber quantas fam\u00edlias trabalham em actividades fora do ambiente agr\u00edcola. E segundo as respostas dadas, podemos dizer que quase todas as fam\u00edlias fazem actividades fora do ambiente agr\u00edcola. E de facto as 25 fam\u00edlias, fazem outras actividades fora do seu sector agr\u00edcola familiar. Entre esses temos 8% num total de 2 fam\u00edlias que fazem t\u00e1xi de Bicicleta, e de igual n\u00famero para professores. E uma senhora que tamb\u00e9m trabalha como enfermeira, enquanto as restantes 20 fam\u00edlias, equivalentes a 80% fazem outras actividades fora do seu ambiente familiar, \u00e9 o caso de trabalhos de pedreiro e carpintaria para os homens e trabalhos dom\u00e9sticos para homens e mulheres, para al\u00e9m de trabalhos di\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>c) Que tipo de n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o voc\u00ea t\u00eam?<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\"><strong>Estado da instru\u00e7ao das 25 familias<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Nivel instru\u00e7ao<\/strong><\/td>\n<td><strong>Familias educadas<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>AEA<\/td>\n<td>3<\/td>\n<td>0.12<\/td>\n<td>12%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ler \/ escrever<\/td>\n<td>7<\/td>\n<td>0.28<\/td>\n<td>28%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Primario<\/td>\n<td>4<\/td>\n<td>0.16<\/td>\n<td>16%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Secundario<\/td>\n<td>3<\/td>\n<td>0.12<\/td>\n<td>12%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Universitario<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Curso Profissional<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outro<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Nenhuma<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>0.32<\/td>\n<td>32%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>N\u00famero total de familias<\/strong><\/td>\n<td><strong>25<\/strong><\/td>\n<td><strong>1<\/strong><\/td>\n<td><strong>100%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Um dos desafios para muitas fam\u00edlias camponesas em Mo\u00e7ambique e no mundo em geral \u00e9 a falta da edu\u00e7\u00e3o. E de facto, entre 25 os camponeses familiares por nos entrevistados observamos que 32% dos camponeses e principalmente os mais idosos n\u00e3o tiveram a possibilidade de acederem a nenhum sistema educativo no pa\u00eds. E tal realidade continua ainda a criar dificuldades quando se fala da forma\u00e7\u00e3o dos camponeses em mat\u00e9rias agr\u00edcolas, sabendo que muitos nem sabem escrever e nem ler. E malgrado que mesmo os que acederam ao sistema nacional de educa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o sabem escrever e ler. E de facto, mesmo as 7 fam\u00edlias que dizem que sabem ler e escrever, essa sabe fazer uma leitura muito limitada em palavras simples e n\u00e3o conseguem ler e interpretar por exemplo um pequeno texto. E em muitas zonas rurais raparigas e rapazes iniciam o ensino prim\u00e1rio e nunca chegam a terminar. A maioria das raparigas s\u00e3o obrigados a abandonar devido a problem\u00e1tica de gravidezes indesejadas ou mesmo devido a casamentos prematuros. Em outros casos as crian\u00e7as, os adolescentes e os jovens acabam abandonando os seus estudos devido aos trabalhos agr\u00edcolas. E de facto, os adolescentes e jovens s\u00e3o a principal for\u00e7a de trabalho nas zonas rurais, esses para al\u00e9m da ajuda no cultivo da terra s\u00e3o a principal for\u00e7a de transporte dos produtos para as casas, assim como para o sector das vendas que muitas das vezes se encontram distantes e levam horas para puder chegar nestes lugares. E com a falta de meio de transportes estes s\u00e3o obrigados a madrugarem todos os dias, para puder chegar cedo e ocupar lugares estrat\u00e9gicos para conseguir vender os seus produtos e evitar perde-las devido as temperaturas altas e pelo excesso do mesmo produto no mercado ou na feira. Porem como j\u00e1 diz\u00edamos alguns camponeses j\u00e1 iniciaram a afastar os seus filhos nos trabalhos agr\u00edcolas e lhes mandam noutras cidades e vilas por raz\u00f5es escolares. Todavia essa continua sendo ainda uma minoria, visto que o maior n\u00famero ainda \u00e9 nas zonas rurais e vive de trabalhos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.2.2. Tipos de trabalhos agr\u00edcolas<\/strong><\/p>\n<p>Na Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia os trabalhos agr\u00edcolas dividem-se em v\u00e1rios ramos como: agricultura, cria\u00e7\u00e3o de animais, cultivo de plantas de fruto, pesca, piscicultura, recolha de produtos vegetais nas florestas, corte de arvores e transforma\u00e7\u00e3o em carv\u00e3o usado como combust\u00edvel, ca\u00e7a de animais, e trabalhos de artesanatos como o trabalho artesanal de panelas de barros feitos pelas mulheres e para o trabalho artesanal de cestos de palha que vem feitos pelos ambos os sexos e com esses vem associados os trabalhos da carpintaria e a destila\u00e7\u00e3o do aguardente (catxa\u00e7o) que vem realizado por parte dos homens. E entre esses; os trabalhos mais realizados na sociedade camponesa da Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia s\u00e3o: agricultura, cria\u00e7\u00e3o de animais, pesca e cultivo de arvores ou plantas de frutas. E entre esses a cada distrito \u00e9 especializada a um determinado tipo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola segundo o clima e a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica que varia segundo a sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e do seu relevo.<\/p>\n<p><strong>A. Agricultura<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\"><strong>Agricultura<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Agricultura<\/strong><\/td>\n<td><strong>Familias camponeses<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td>\u00a0Percentual<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Produ\u00e7\u00e3o de arroz<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Produ\u00e7\u00e3o da mandioca<\/td>\n<td>20<\/td>\n<td>0.8<\/td>\n<td>80%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Produ\u00e7\u00e3o de Milho<\/td>\n<td>19<\/td>\n<td>0.76<\/td>\n<td>76%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Produ\u00e7\u00e3o de Feij\u00e3o Manteiga<\/td>\n<td>5<\/td>\n<td>0.2<\/td>\n<td>20%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Produ\u00e7\u00e3o Feij\u00e3o Nhemba<\/td>\n<td>17<\/td>\n<td>0.68<\/td>\n<td>68%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Feij\u00e3o Buerre<\/td>\n<td>9<\/td>\n<td>0.36<\/td>\n<td>36%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Amendoim<\/td>\n<td>18<\/td>\n<td>0.72<\/td>\n<td>72%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Outro<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Quantos aos camponeses por n\u00f3s entrevistados, vemos que os 25 camponeses equivalentes ao 100% produzem arroz, 20 equivalentes a 80% produzem mandioca e assim como 19 equivalente a 76% produzem milho. Tudo isso mostra que o arroz, mandioca e milho s\u00e3o os principais produtos cultivados no seio da fam\u00edlia camponesa. E entre esses, para al\u00e9m destes que foram por n\u00f3s inumerados no nosso question\u00e1rio, conseguimos observar tamb\u00e9m que muitos dos camponeses produzem hort\u00edcolas, beterrabas, tomates, anan\u00e1s, cana-de-a\u00e7\u00facar, bata doce, batata reno, abobara, quiabo, mexoeira e mapira. E um dos limites encontrado nesta respetiva actividade, \u00e9 que todos os camponeses encontram dificuldades produtivas. E quase todos produzem uma pequena quantidade e que muitas das vezes n\u00e3o \u00e9 suficiente para nutrir todos os membros da fam\u00edlia. E uns dizem tal fator deve-se do facto que esses continuam a praticar uma agricultura do tipo sequeiro que depende do tempo das chuvas. Para al\u00e9m deste fator, os camponeses enfrentam nesta actividade problemas ligados a conserva\u00e7\u00e3o dos produtos. E de facto alguns produtos de f\u00e1cil produ\u00e7\u00e3o e de dif\u00edcil conserva\u00e7\u00e3o em ambientes quentes acabam sendo deitados porque os camponeses n\u00e3o possuem lugares de conserva\u00e7\u00e3o assim como n\u00e3o possuem ind\u00fastrias de transforma\u00e7\u00e3o dos respetivos produtos.<\/p>\n<p><strong>B. Cultivo de \u00e1rvores e plantas de frutas<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\"><b>Cultivo de arvores de fruta<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Cultivo de arvores de fruta<\/strong><\/td>\n<td><strong>Familias camponeses<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Bananeira<\/td>\n<td>9<\/td>\n<td>0.36<\/td>\n<td>36%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Mangueira<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Larangeira<\/td>\n<td>13<\/td>\n<td>0.52<\/td>\n<td>52%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Tangerineira<\/td>\n<td>6<\/td>\n<td>0.24<\/td>\n<td>24%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Papeira<\/td>\n<td>17<\/td>\n<td>0.68<\/td>\n<td>68%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Limoeiro<\/td>\n<td>12<\/td>\n<td>0.48<\/td>\n<td>48%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Palma de Coqueiro<\/td>\n<td>19<\/td>\n<td>0.76<\/td>\n<td>76%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Cajueiro<\/td>\n<td>7<\/td>\n<td>0.28<\/td>\n<td>28%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Outros<\/td>\n<td>22<\/td>\n<td>0.88<\/td>\n<td>88%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Para muitos camponeses para al\u00e9m das plantas e arvores de fruto que fazem parte do nosso question\u00e1rio, as fam\u00edlias camponesas produzem tamb\u00e9m: ata, abacate. E entre esses a mangueira \u00e9 uma das \u00e1rvores mais produzida com 100% dos camponeses, seguido com um total de 76% de produ\u00e7\u00e3o do coqueiro e 68% de produ\u00e7\u00e3o de papaia. E um dos limites deste sector produtivo continua a ser o mesmo mencionado precedentemente. \u00c9 o caso da mangueira, uma arvore sazonal, que por sinal produz uma grande quantidade de frutas, mas esses crescem e amadurem no mesmo instante. E assim sendo muitas frutas de mangas caem na terra e vem recolhidas para o consumo e venda. Todavia, tal fruta carece de compradores visto que nas zonas rurais todos produzem a mesma fruta e dif\u00edcil encontrar um comprador externo; como tal, muitas frutas s\u00e3o recolhidas e deitadas nas lixeiras. Como por exemplo; em alguns lugares da Zamb\u00e9zia a manga \u00e9 recolhida e usada para destilar aguardente (catxa\u00e7o), mas tal actividade ainda n\u00e3o \u00e9 muito praticado. Pelo motivo que o catxa\u00e7o de mangas tamb\u00e9m tem pequeno mercado, visto que muitos preferem o catxa\u00e7o feito pelas das canas-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p><strong>C. Cria\u00e7\u00e3o de animais<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\"><strong>Cria\u00e7\u00e3o de animais<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Cria\u00e7\u00e3o de animais<\/strong><\/td>\n<td><strong>Familias camponeses<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Cabrito<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>0.04<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ovelha<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Coedeiro<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Boi<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Galinhas<\/td>\n<td>24<\/td>\n<td>0.96<\/td>\n<td>96%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Pato mudo e mareco<\/td>\n<td>13<\/td>\n<td>0.52<\/td>\n<td>52%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Porco \/ Suino<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>0.4<\/td>\n<td>40%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outro<\/td>\n<td>7<\/td>\n<td>0.28<\/td>\n<td>28%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Nenhuma<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>0.04<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de animais na Prov\u00edncia \u00e9 tamb\u00e9m uma actividade praticada pelos camponeses. Por\u00e9m entre as v\u00e1rias diversidades animais, na Zamb\u00e9zia os camponeses criam mais galinhas, com um total dos 96% dos camponeses entrevistados praticando tal actividade. E 52% criam patos (marreco e mudo), 40% porco su\u00edno, 4% cabrito. E entre tais actividades vem associado com a cria\u00e7\u00e3o de 7% de outros tipos de animais como coelho e galinha do mato. E dos elementos chave nesta actividade como j\u00e1 mencionamos \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da galinha, e essa \u00e9 muito importante n\u00e3o somente pelo uso no consumo familiar. De um lado a galinha \u00e9 levada para venda aos ambulantes de compra da galinha. De um lado a galinha \u00e9 importante porque os seus ovos tamb\u00e9m constituem uma grande actividade comercial principalmente nas v\u00e9speras das grandes festas, visto que os ovos s\u00e3o \u00fateis para fazer bolos. Todavia a pesar desta sua grande vantagem no seio da fam\u00edlia camponesa, os camponeses em todas esta\u00e7\u00f5es dos anos, principalmente no ver\u00e3o perdem uma quantidade enorme do seu criado, devido a problem\u00e1tica de doen\u00e7as aviarias, que destr\u00f3i e elimina muitas galinhas nas fam\u00edlias camponesas.<\/p>\n<p><strong>D. Actividade de pesca<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\"><strong>Actividade de pesca<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Actividade de pesca<\/strong><\/td>\n<td><strong>Local da pesca<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Mar<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>0.04<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Rio<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>0.4<\/td>\n<td>40%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Piscicultrura<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>0.04<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Nenhuma<\/td>\n<td>15<\/td>\n<td>0.6<\/td>\n<td>60%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Tudo mostra que a actividade de pesca nas fam\u00edlias camponesas, \u00e9 menos praticada. E somente um total de 10 fam\u00edlias equivalente a 40% dos camponeses praticam actividades da pesca nos principais rios mais pr\u00f3ximos. E uma pessoa, equivalente a 4% pratica actividade de pesca devido a sua aproxima\u00e7\u00e3o do mar; e assim como uma pessoa equivalente 4% pratica actividade de piscicultura. E no total vemos que somente 10 fam\u00edlias praticam actividades de pesca e tal actividade \u00e9 feita nos rios mais pr\u00f3ximos. O que mostra que as duas fam\u00edlias uma que faz pesca no mar e uma que pratica actividade de piscicultura fazem parte das 10 fam\u00edlias que praticam actividades de pesca nos rios. E um n\u00famero de 15 fam\u00edlias igual a 60% n\u00e3o praticam actividades de pesca. E este dado pode ser um pouco contradit\u00f3rio. Visto que na Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia se consuma mais peixe que a carne, e de facto existe pouca actividade de cria\u00e7\u00e3o animal. E pouca participa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia em actividades de pescas muitas das vezes obriga as fam\u00edlias a recorr\u00eancia de compra de peixes secos que por sinal \u00e9 a maioria que se encontra no mercado.<br \/>\nb) Entre os trabalhos indicados, voc\u00ea consegue fazer algum trabalho juntos com outras fam\u00edlias? Se sim, como vem organizado o trabalho e se n\u00e3o porque?<br \/>\nNesta precisa pergunta vemos que um n\u00famero de 22 camponeses dos 25 camponeses entrevistados realizam trabalhos de cucumbe. E o cucumbe \u00e9 uma forma de trabalho que vem organizado por um grupo de fam\u00edlias para trabalhos de escalas. Esses organizam-se para ajudarem-se uns dos outros. O cucumbe, portanto, \u00e9 uma forma de trabalho campon\u00eas muito praticado na Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia, onde duas ou mais pessoas se metem juntos para puderem cultivarem as suas machambas. E essa se pratica por meio de escala, onde por forma rotativa se vai na machamba de um dos elementos que faz parte do sistema cucumbe. Para al\u00e9m desta pr\u00e1tica, vemos tamb\u00e9m que existem formas de associa\u00e7\u00f5es camponesas; e dos 25 camponeses por n\u00f3s entrevistados, vemos que somente 4 camponeses fazem trabalhos agr\u00edcolas nas v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es camponesas. E um dos elementos observado durante o nosso estudo \u00e9 que, enquanto o cucumbe \u00e9 organizado e controlado por ordem do sistema familiar; a associa\u00e7\u00e3o camponesa vem organizada e controlada por pessoas externas, como ONG estrangeiras e nacionais assim como algumas entidades religiosas.<br \/>\nc) E quais s\u00e3o as dificuldades e oportunidades do trabalho de grupo com outras fam\u00edlias?<br \/>\nQuanto a pergunta feita sobre as dificuldades e oportunidades: observamos que quase todos os camponeses que praticam o cucumbe e associa\u00e7\u00e3o camponesa; enalteceram valores positivos e negativos. Quando as dificuldades do cucumbe, todos os camponeses lamentaram-se que alguns quando se trata de trabalhar nas machambas dos outros; em algumas vezes, uns chegam atrasados no trabalho e uns usam pouca energia, obrigando a largarem cedo mesmo antes de terminar uma determinada por\u00e7\u00e3o de trabalho. Todavia o cucumbe tr\u00e1s v\u00e1rias vantagens no seio do trabalho familiar; como a facilidade do trabalho, muitos que fazem por exemplo o cucumbe no trabalho de cultivo de arroz a cada ano conseguem cultivar uma por\u00e7\u00e3o de terra significativa capaz a render uma boa economia familiar. Quanto a associa\u00e7\u00e3o camponesa, tamb\u00e9m essa tem algumas desvantagens, e para os camponeses que praticam tal actividade, afirmaram que uma delas \u00e9 que tudo vem gerido por um agente externo e muitas das vezes afrontam a problem\u00e1tica da finalidade dos produtos, principalmente na sua redistribui\u00e7\u00e3o. E quanto as suas vantagens: todos recolhessem uma grande assist\u00eancia seja nos insumos agr\u00edcolas e um pequeno acompanhamento formativo, e quase nas associa\u00e7\u00f5es usam instrumentos de trabalhos mais avan\u00e7ados como o tractor e mais outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.2.3. Meios de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) Quais instrumentos voc\u00eas usam para o trabalho na agricultura?<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\"><strong>Meios de produ\u00e7\u00e3o\u00a0na agricultura<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Meios de produ\u00e7\u00e3o\u00a0na agricultura<\/strong><\/td>\n<td><strong>N\u00b0 Familias<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Enxada<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Catana<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Machado<\/td>\n<td>16<\/td>\n<td>0.64<\/td>\n<td>64%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Foice<\/td>\n<td>22<\/td>\n<td>0.88<\/td>\n<td>88%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Motessera<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Tractor<\/td>\n<td>7<\/td>\n<td>0.28<\/td>\n<td>28%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Tra\u00e7\u00e3o animal<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ragador<\/td>\n<td>5<\/td>\n<td>0.2<\/td>\n<td>20%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Motobomba<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outro<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A pergunta feita sobre os meios de produ\u00e7\u00e3o que vem usados pelos camponeses nos seus trabalhos cotidianos, vemos que, os camponeses continuam a usar a enxada de cabo curto para o trabalho nas suas machambas. Portanto os 100% usam a enxada e somente 88 % possui a foice, e sabendo que tal instrumento \u00e9 muito usado no per\u00edodo da colheita do arroz, os restantes 12% continuam a usarem instrumentos para a colheita do arroz como a faca e de modo particular a carro\u00e7a de caracol. E o uso de instrumentos tradicionais, leva os camponeses dias e semanas para colher uma pequena por\u00e7\u00e3o de arroz. Por outro lado, vemos que 28% dos camponeses usam o tractor, malgrado que tal uso necessita de custos muitos elevados. E de facto entre os camponeses por nos entrevistados nenhum deles possui um tractor, e para usar um tractor na pr\u00f3pria machamba, cada campon\u00eas precisa gastar um valor m\u00ednimo de 4500,00 MT., de custo por hectare (ha), um valor que para muitos camponeses n\u00e3o possuem. Tudo isso mostra que os camponeses enfrentam grandes dificuldades para conseguir a produzir uma pequena por\u00e7\u00e3o de terra. Um dos camponeses por nos, entrevistado, disse nos que primeiramente ele possu\u00eda uma terra equivalente a 10 hectares e nunca tinha conseguido cultivar toda a sua por\u00e7\u00e3o de terra. E com o passar dos tempos, esse iniciou a vender terra para algumas multinacionais que operam naquele distrito e actualmente ficou em possesso de 5 hectares da sua terra, mas mesmo assim nunca conseguiu produzir toda ela devido a falta de instrumentos ou meios adequados de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ul>\n<li>b) Quais instrumentos usados para o cultivo de plantas de fruta? (veja 2.4.1.)<\/li>\n<li>c) Quais instrumentos usam para a pesca?<\/li>\n<\/ul>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\"><strong>Meiois de trabalho da pesca<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Meiois de trabalho da pesca<\/strong><\/td>\n<td><strong>N\u00b0 Familias<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Anzol<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>0.32<\/td>\n<td>32%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Redes de pesca<\/td>\n<td>6<\/td>\n<td>0.24<\/td>\n<td>24%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Redes mosquiteiras<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>0.32<\/td>\n<td>32%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Capulanas<\/td>\n<td>2<\/td>\n<td>0.08<\/td>\n<td>8%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Gaiolas<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>0.32<\/td>\n<td>32%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Canoas e remos<\/td>\n<td>3<\/td>\n<td>0.12<\/td>\n<td>12%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Baldes<\/td>\n<td>4<\/td>\n<td>0.16<\/td>\n<td>16%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Aquarios<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>0.04<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outros<\/td>\n<td>3<\/td>\n<td>0.12<\/td>\n<td>12%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Como j\u00e1 diz\u00edamos precedentemente, a pesca n\u00e3o \u00e9 uma actividade principal para os camponeses por n\u00f3s entrevistados. Todavia essa faz parte da sua economia sendo praticado ocasionalmente, e a pesca vem feita quando falta o peixe em casa e n\u00e3o havendo dinheiro para comprar tal produto no mercado esses s\u00e3o obrigados a pescar. Uns s\u00e3o aqueles que fazem a pesca porque rodeados pelos v\u00e1rios riachos durante o per\u00edodo de muitas chuvas e alagamento dos principais rios. E tudo isso se reflete nos meios de trabalho usados para esta mesma actividade. E de facto, segundo o nosso estudo no campo vemos que 32% dos camponeses usam anzois para puder pescar e que por sinal tais anzois s\u00e3o caseiros feitos de material de arame e um cabo de cani\u00e7o ou bambo. Por outro lado, temos 32% dos camponeses que usam as redes mosquiteiras para trabalhos de pesca. E malgrado que tais redes mosquiteiras vem distribu\u00eddas pelo governo distrital junto com dire\u00e7\u00e3o distrital da sa\u00fade em parceria de uma ONG internacional, intencionados a combater a problem\u00e1tica da mal\u00e1ria no pa\u00eds. Todavia, devido a problem\u00e1tica da pobreza e da inseguran\u00e7a alimentar que assola tal comunidade, as redes mosquiteiras s\u00e3o usadas para outras finalidades. E a cada ano em Mo\u00e7ambique e principalmente nas zonas rurais muitos morrem por causa da do\u00ean\u00e7a da mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>d) Quais instrumentos usam para a cria\u00e7\u00e3o de animais?<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\"><strong>Meios de cria\u00e7\u00e3o animais<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Meios para\u00a0cria\u00e7\u00e3o de animais<\/strong><\/td>\n<td><strong>Local de\u00a0cria\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Capoiera<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>0.4<\/td>\n<td>40%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Coral<\/td>\n<td>9<\/td>\n<td>0.36<\/td>\n<td>36%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>No ar livre<\/td>\n<td>23<\/td>\n<td>0.92<\/td>\n<td>92%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outro<\/td>\n<td>5<\/td>\n<td>0.2<\/td>\n<td>20%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Quanto, aos meios usados para a cria\u00e7\u00e3o animal, vemos que aqui tamb\u00e9m existem v\u00e1rias dificuldades a criar ou a obter meios adequados para a cria\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios animais. E como podemos ver os nossos dados na tabela, vemos que 92% dos camponeses n\u00e3o possuem nem coral e nem uma capoeira. E de modo particular para os que fazem cria\u00e7\u00e3o da galinha deixam as galinhas a viverem ao ar lento e muitas das galinhas dormem nas arvores. E tudo isso pode trazer consequ\u00eancias na sua produtividade, e muitas galinhas quando chega o per\u00edodo da sua reprodu\u00e7\u00e3o sofrem a individuar lugares seguros por onde depositar os seus ovos. De um lado muitos camponeses lamentaram-se dizendo que em muitas vezes as galinhas no per\u00edodo em que esses fazem os seus pintos, a maioria deles n\u00e3o chegam a crescerem porque s\u00e3o atacados pelas \u00e1guias. Para al\u00e9m da raposa que ataca tamb\u00e9m as galinhas j\u00e1 grandes. E tudo isso impede para uma maior produtividade familiar, deixando muitas vezes as fam\u00edlias com poucos recursos para puder continuar tal actividade no tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.2.4. M\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>M\u00e9todo de Produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td><strong>Familias<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Tradicional<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Tecnologico<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ambos<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Numero total<\/strong><\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A pergunta feita sobre m\u00e9todo produtivo, vemos que todos os camponeses entrevistados usam um m\u00e9todo tradicional de produ\u00e7\u00e3o. E isso significa de um lado uma vantagem, visto que o m\u00e9todo tradicional \u00e9 atento ao ambiente; e os conhecimentos s\u00e3o transmitidos de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. Todavia, o m\u00e9todo tradicional apresenta limites produtivos quanto aos v\u00e1rios desafios sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Para al\u00e9m do corte excessivo das \u00e1rvores e a queimadura do capim. O m\u00e9todo tradicional ainda n\u00e3o consegue responder a problem\u00e1tica da pobreza e da fome dos pr\u00f3prios camponeses. E os camponeses clamam hoje a necessidade de aprenderem novas formas de produ\u00e7\u00e3o. Um dos camponeses disse nos que precisavam de aprender novas formas produtivas e t\u00e9cnicas, como por exemplo aprender a fazer tanques, para a conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1guas das chuvas, assim como aprender a produzir novos produtos.<\/p>\n<p><strong>a) Utilizo de fertilizantes<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Tipo de\u00a0fertilizantes<\/strong><\/td>\n<td><strong>Familias<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Quimicos<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Natural<\/td>\n<td>11<\/td>\n<td>0.44<\/td>\n<td>44%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ambos<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Nenhum<\/td>\n<td>14<\/td>\n<td>0.56<\/td>\n<td>56%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Numero total<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Quanto ao uso de fertilizantes, encontramos que 56% dos camponeses produz sem o uso de fertilizantes; e 44% usa fertilizantes naturais feitos por material de capim e fezes das vacas. Tudo mostra que os camponeses fazem pouco uso dos fertilizantes naturais porque uns n\u00e3o sabem como faze-lo. De outro lado encontramos tamb\u00e9m no nosso estudo que os camponeses ainda n\u00e3o usam fertilizantes qu\u00edmicos porque esses n\u00e3o possuem dinheiro para a compra dos respetivos fertilizantes. \u00c9 verdade que algumas terras dos camponeses s\u00e3o muito f\u00e9rteis, razoes pelas quais, o uso de fertilizantes n\u00e3o \u00e9 ainda de estrema import\u00e2ncia. Todavia, existem algumas terras que necessitam dos fertilizantes porque essas s\u00e3o terras que foram perdendo a sua fertilidade no tempo. De um lado para al\u00e9m da quest\u00e3o dos fertilizantes os camponeses lamentaram tamb\u00e9m com a problem\u00e1tica de insectos, e v\u00e9rmis que destroem as suas produ\u00e7\u00f5es e n\u00e3o sabem at\u00e9m ent\u00e3o como elimina-los sabendo que, os pesticidas no mercado tamb\u00e9m custam a pre\u00e7os elevados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.2.5. A terra de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Quest\u00e3o da terra<\/strong><\/td>\n<td><strong>Familias<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Aluguer<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>0.4<\/td>\n<td>40%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Terra familiar<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outro<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>0.32<\/td>\n<td>32%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Quase todos os camponeses possuem uma terra de propriedade familiar. Por\u00e9m, nem todos os camponeses produzem somente nas terras de sua propriedade. Existem de facto camponeses, que por motivo da procura de terras f\u00e9rteis, alugam ou emprestam terras dos outros camponeses para puderem continuarem a sua actividade agr\u00edcola. De um lado, uns alugam ou emprestam machambas dos outros camponeses, no per\u00edodo em que esses procuram produzir uma determinada produ\u00e7\u00e3o diversa que por sinal n\u00e3o seria capaz a produzir no seu terreno familiar. Assim sendo existem uns que alugam o terreno para produzirem a batata doce e outras formas de produ\u00e7\u00e3o sazonal que por sinal aceitam em serem produzidas a um determinado tipo de terreno adequado.<\/p>\n<p><strong>a) Conseguem cultivar toda a terra que tendes em vosso possesso?<\/strong><\/p>\n<p>Quanto a essa pergunta, todos os camponeses disseram de n\u00e3o, e as causas s\u00e3o v\u00e1rias, uns alegaram a problem\u00e1tica da falta de meios de produ\u00e7\u00e3o como o tractor, tra\u00e7\u00e3o animal e outros meios adequados que impedem a produzirem toda a terra em seu possesso. Uns alegaram a problem\u00e1tica das chuvas prolongadas que provocam grandes inunda\u00e7\u00f5es, de um lado esta a problem\u00e1tica das secas. E para camponeses mais idosos alegaram a problem\u00e1tica da falta dos recursos humanos nos momentos em que os filhos\/as se casam deixando os pais com terrenos enormes e por sinal esses n\u00e3o conseguem produzir todo o terreno em seu possesso.<\/p>\n<p><strong>b) Qual \u00e9 a finalidade da produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Finalidade da produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td><strong>Familias<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Consumo familiar<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Troca de produtos<\/td>\n<td>9<\/td>\n<td>0.36<\/td>\n<td>36%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Venda<\/td>\n<td>20<\/td>\n<td>0.8<\/td>\n<td>80%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outros<\/td>\n<td>18<\/td>\n<td>0.72<\/td>\n<td>72%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas da economia camponesa \u00e9 que essa \u00e9 uma economia de subsist\u00eancia familiar. E de facto o total de 100% da fam\u00edlia usa o seu produto para o seu consumo familiar. Todavia, para al\u00e9m desta caracter\u00edstica, os camponeses usam o seu produto para o comercio assim como para a troca com outros familiares. E de facto, 80% praticam actividades de com\u00e9rcio no mercado interno, nas feiras assim como de modo ambulat\u00f3rio. E 36% praticam as actividades de trocas de produtos com outras fam\u00edlias. E tais actividades verificam-se nas zonas onde h\u00e1 falta do metical. E de facto, por falta do dinheiro, os que n\u00e3o tem um determinado produto v\u00e3o trocar com o que tem com uma outra fam\u00edlia que carece do mesmo produto. Portanto a troca \u00e9 uma necessidade que as fam\u00edlias t\u00eam em obter um determinado produto alimentar que por sinal eles n\u00e3o possuem. \u00c9 caso por exemplo, a troca da farinha de milho com a farinha de mandioca. E um grupo equivalente a 72% usa a sua produ\u00e7\u00e3o em outros \u00e2mbitos como a conserva\u00e7\u00e3o no celeiro para as futuras sementeiras, assim como para o consumo familiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.2.6. Comercio<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) Existe um tipo de produ\u00e7\u00e3o especificamente indicada para a comercializa\u00e7\u00e3o? Se sim, qual?<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.oikonomia.it\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Marcano_15.png\" alt=\"Marcano 15\" \/><\/p>\n<p>Para esta pergunta as 21 fam\u00edlias reponderam dizendo n\u00e3o; o que significa que a maioria das fam\u00edlias num total de 84% ainda n\u00e3o desenvolveram uma produ\u00e7\u00e3o de tipo comercial. Esses de facto continuam a produzirem somente para o consumo e vendendo muitas das vezes o que deveria servir somente ao consumo familiar. E somente 4 fam\u00edlias o que equivale 16% do total de fam\u00edlias por nos entrevistados responderam dizendo que produzem hort\u00edcolas (tomate, couve china, couve tronchuda, cebola, batata reno e alface) com objectivo do mercado. Trata-se de produtos de f\u00e1cil produ\u00e7\u00e3o e dif\u00edcil de conserva\u00e7\u00e3o, e o que vem produzido \u00e9 principalmente para a venda, consumando uma pequena parte destes produtos. E muitas das vezes devido as altas temperaturas e sol intenso o que vem produzido n\u00e3o chega no mercado e nem vem consumado, grandes quantidades de produto s\u00e3o deitadas em continua\u00e7\u00e3o nas lixeiras.<\/p>\n<p><strong>b) Como voc\u00eas organizam a actividade de com\u00e9rcio?<\/strong><\/p>\n<p>Para alguns, o mercado no sector agr\u00edcola familiar vem organizado ocasionalmente, um sai e vai vender o que tem. Enquanto que outros, desenvolveram um sistema de escala de venda. De facto, entre os camponeses organizaram-se em forma de escalas vendendo os seus produtos em forma de escala. Todavia, \u00e9 preciso tamb\u00e9m notar que s\u00e3o poucos camponeses que fazem esse trabalho, porque muitos vendem os seus produtos a um grupo de camponeses comerciantes que compram os seus produtos dentro do ambiente rural e v\u00e3o vender no mercado. S\u00e3o os chamados de camponeses comerciantes. Portanto a venda de escala serve somente aos camponeses compradores e vendedores, e os que produzem raramente frequentam os mercados de modo continuativo.<\/p>\n<p><strong>c) Onde voc\u00eas vendem os vossos produtos agr\u00edcolas?<\/strong><\/p>\n<p>Os produtos agr\u00edcolas como j\u00e1 diz\u00edamos s\u00e3o vendidos no mercado, nas feiras, nas estradas assim como aos pequenos camponeses que compram os produtos dos camponeses para venderem no mercado. Portanto existem indiv\u00edduos das zonas rurais que muitas das vezes n\u00e3o produzem, mas passam a comprar os produtos dos camponeses para venderem nos mercados, e esses s\u00e3o muitas das vezes indiv\u00edduos perigosos que agem contra a economia dos camponeses produtores. Esses de facto aproveitam se das dificuldades de mercado que os camponeses vivem e eles mesmo inventam os seus pr\u00f3prios pre\u00e7os convencendo muitos camponeses a venderem os seus produtos em pre\u00e7os cada vez mais baixos.<\/p>\n<p><strong>d) Como vem estabelecidos os pre\u00e7os de venda?<\/strong><\/p>\n<p>Todos os camponeses a esta pergunta, responderam que n\u00e3o existe nenhum \u00f3rg\u00e3o de controle dos pre\u00e7os, cada um vende muitas vezes o que tem com pre\u00e7os baixos ou altos, de acordo com a procura no mercado. Portanto quando a procura \u00e9 alta os pre\u00e7os s\u00e3o altos, e quando a procura \u00e9 baixa, tamb\u00e9m os pre\u00e7os s\u00e3o baixos. E muitas das vezes sabendo que esses n\u00e3o possuem armaz\u00e9ns de conserva\u00e7\u00e3o dos produtos, essa \u00e9 obrigada a vender a maioria dos seus produtos para evita-lo de perde-las. E a consequ\u00eancia desta forma de actividade comercial, \u00e9 que muitas das fam\u00edlias vendem os seus produtos em pre\u00e7os inadequados, procurando somente liberar-se dos produtos antes que esses apodre\u00e7am e venham deitados nas lixeiras. E um dos problemas mais grave no mercado \u00e9 de facto a falta de compradores e assim como a falta de vias de acesso, de estradas e pontes que possam permitir o escoamento das mercadorias rurais para o mercado urbano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.2.7. Crises\/dificuldades\/criticidades<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) Em caso do colapso do pre\u00e7o no mercado, existe uma forma de seguro campon\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p>Nesta pergunta, para todos os camponeses responderam que n\u00e3o existem nenhum seguro de pre\u00e7os em caso de colapso no mercado, e cada um muitas das vezes se inventa um pre\u00e7o pessoal somente para se livrar dos produtos que por sinal correriam o risco de apodrecerem e deita-los.<\/p>\n<p><strong>b) Os custos de produ\u00e7\u00e3o? recebem um subs\u00eddio ou s\u00e3o custos familiares?<\/strong><\/p>\n<p>Quanto aos custos de produ\u00e7\u00e3o, a maioria dos camponeses acabou afirmando que usa custos familiares. Somente nas associa\u00e7\u00f5es a fam\u00edlia tem mais acesso a ajudas em custos de produ\u00e7\u00e3o. E para os camponeses que produzem por conta familiar as ajudas s\u00e3o limitadas. Uns disseram-nos que tem recebido algumas ajudas, mas tais ajudas s\u00e3o limitadas em insumos agr\u00edcolas, e essas vem distribu\u00eddas nos per\u00edodos de grandes emerg\u00eancias provocadas pelas chuvas intensas que tem alagado e destru\u00eddos todas as produ\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, ou mesmo nos per\u00edodos em que se vive de secas prolongadas. E muitas das vezes, alguns camponeses disseram que devido a fome que assola nestes respetivos per\u00edodos, uns desses que recebem os insumos agr\u00edcolas, usam os mesmos para o seu alimento familiar. E em alguns casos os insumos agr\u00edcolas tem apresentado um problema de sa\u00fade porque vem empacotados juntos a um produto qu\u00edmico; e deveriam servirem somente a sementeira, mas as fam\u00edlias usam as mesmas para o seu alimento, mesmo sabendo dos grandes riscos de sa\u00fade que os mesmos produtos trazem na vida familiar. De um lado \u00e9 preciso tamb\u00e9m sublinhar que, nem sempre tal ajuda tem chegado a todos os camponeses, muitos s\u00e3o aqueles que nunca se beneficiaram de nenhuma ajuda e permanecem cultivando na depend\u00eancia da sua pequena economia familiar.<\/p>\n<p><strong>c) Quais s\u00e3o as dificuldades que voc\u00eas encontram nos trabalhos agr\u00edcolas?<\/strong><\/p>\n<p>As dificuldades para os camponeses s\u00e3o v\u00e1rias, porque dependem do tipo de produ\u00e7\u00e3o. Embora para todos o problema se notabilize na falta de meios econ\u00f3micos; mas entre esses vemos que para a produ\u00e7\u00e3o das galinhas quase todos enfrentam a problem\u00e1tica das doen\u00e7as aviarias que destroem a cada ano o criado familiar. Enquanto que para o trabalho na agricultura, muitos lamentaram-se a falta de tractor ou de tra\u00e7\u00e3o animal, uns n\u00e3o sabem como fazer fertilizantes naturais; a exist\u00eancia de ratos e p\u00e1ssaros que comem o arroz ap\u00f3s a sementeira; a falta de um regadio e um tanque para conservar \u00e1gua das chuvas; de um lado est\u00e3o as secas prolongadas. E todos os camponeses lamentaram-se da problem\u00e1tica de n\u00e3o ter um instrumento para puder transformar os seus produtos que acabam terminando nas lixeiras; de um lado esta a falta de compradores dos produtos agr\u00edcolas. Para al\u00e9m deste fator, os camponeses enfrentam a problem\u00e1tica de transportes para chegar nas machambas, e uns fazem noites nas machambas, isto \u00e9 para evitar de fazer vaiv\u00e9m, uns deslocam alocando-se nas suas machambas por um per\u00edodo de uma semana ou mesmo de um m\u00eas. De um lado foi sublinhado tamb\u00e9m a falta de t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o. Assim como a presen\u00e7a de animais venenosos como serpentes que mordem os camponeses no acto das suas actividades agr\u00edcolas e de elefantes e outros animais selv\u00e1ticos que destroem a produ\u00e7\u00e3o familiar. De um lado os camponeses lamentam-se a falta da edu\u00e7\u00e3o e a falta de condi\u00e7\u00f5es para educar seus filhos, e uns afirmam a falta de aprendizagem de novas formas produtivas, para al\u00e9m da problem\u00e1tica de transporte para o escoamento dos produtos agr\u00edcolas nos principais mercados nacionais.<\/p>\n<p><strong>d) Voc\u00eas t\u00eam recebido alguma ajuda? Se sim, indicar onde provem tais ajudas.<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Subcidio Familiar<\/strong><\/td>\n<td><strong>Familias<\/strong><\/td>\n<td><strong>Frequ\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Governo<\/td>\n<td>13<\/td>\n<td>0.52<\/td>\n<td>52%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>ONG<\/td>\n<td>11<\/td>\n<td>0.44<\/td>\n<td>44%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Empresas<\/td>\n<td>4<\/td>\n<td>0.16<\/td>\n<td>16%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ente religiosos<\/td>\n<td>6<\/td>\n<td>0.24<\/td>\n<td>24%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outro<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Nenhum<\/td>\n<td>9<\/td>\n<td>0.36<\/td>\n<td>36%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Quanto a pergunta feita para analisar a exist\u00eancia e a proveni\u00eancia das ajudas, vemos que 36% dos camponeses n\u00e3o recebem nenhuma ajuda. Por\u00e9m, um total de 52% de camponeses recebem ajuda por parte do governo, 44% das ONG, e 16% das empresas e 24% dos Entes Religiosos. Todavia, o tipo de ajuda limita-se nos insumos agr\u00edcolas; e tais ajudas s\u00e3o distribu\u00eddas principalmente nos per\u00edodos que sucedem as inunda\u00e7\u00f5es. E como j\u00e1 diz\u00edamos precedentemente, em muitos casos, o que vem doado como insumo agr\u00edcola vem usado diretamente para a alimenta\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias. \u00c9 um per\u00edodo em que as fam\u00edlias vivem na emerg\u00eancia da pobreza e da fome, e o que vem dado como insumo agr\u00edcola tem um \u00fanico objectivo que \u00e9 aquele do combate a fome. E tudo isso tr\u00e1s dificuldades produtivas futuras, existem fam\u00edlias que de facto perdem tudo nos per\u00edodos de grandes secas e inunda\u00e7\u00f5es ou outras cat\u00e1strofes naturais e as ajudas que essas vem feitas para substituir a sua produ\u00e7\u00e3o muitas das vezes serve direitamente ao consumo. E tudo isso indica a necessidade selecionar o tipo de ajuda para que essa possa saber prosperar e florescer para um futuro produtivo cada vez mais melhor e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>e) Existe alguma coisa que consideras fundamental para melhor conhecer a realidade da economia camponesa?<\/strong><\/p>\n<p>Sobre esta pergunta, todos deram a import\u00e2ncia e a necessidade de uma escola camponesa, onde cada um deles poderia ter a possibilidade de ser formado para responder aos grandes desafios sobre as novas formas produtivas. Uns mostram a necessidade de encontrar compradores dos seus produtos agr\u00edcolas, a necessidade da cria\u00e7\u00e3o de armaz\u00e9ns de conserva\u00e7\u00e3o dos produtos. A necessidade da cria\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas para a transforma\u00e7\u00e3o dos produtos como: laranja, mangas, tomates, etc., a falta de meios econ\u00f3micos; ensinar novas variedades produtivas; cria\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es camponeses que possam compartilharem um tractor, oferecendo uma maior assist\u00eancia formativa. De um lado promover um cucumbe que seja sustent\u00e1vel para a vida dos pr\u00f3prios camponeses que fazem parte. Alguns camponeses afirmaram tamb\u00e9m a necessidade em apreender novas formas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.3. Interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados emp\u00edricos<\/strong><\/p>\n<p>Os resultados do nosso estudo, mostram que o sector agr\u00edcola familiar de Mo\u00e7ambique, \u00e9 circundado de grandes desafios sociais, econ\u00f3micos e ambientais. E as fam\u00edlias que ainda praticam trabalhos agr\u00edcolas, a maioria delas o fazem porque n\u00e3o tem outras fontes de rendimento familiar. O trabalho agr\u00edcola, portanto, n\u00e3o consegue ainda satisfazer as necessidades alimentares das fam\u00edlias. E algumas fam\u00edlias continuam a abandonarem as zonas rurais, indo a procura de outras fontes econ\u00f3micas nas zonas urbanas. Outras s\u00e3o as que percorrem grandes dist\u00e2ncias a procura de terras f\u00e9rteis, algumas vivem meses fora de casa, isto \u00e9 para evitarem de fazerem viagens cotidianas. Alocando-se nas machambas para puderem cultivarem o arroz e assim como outras formas de produtividades. Todavia, o rendimento continua a ser muito pouco, e n\u00e3o chega a recompensar todo o esfor\u00e7o e a energia utilizada para a produ\u00e7\u00e3o de qualquer produto alimentar. E nisto tudo esta \u201ca degrada\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, do ar e do solo, a perda de flora e a riqueza da fauna, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a pr\u00f3pria degenera\u00e7\u00e3o do ambiente, s\u00e3o todos fen\u00f3menos que continuam a prosseguir e que s\u00e3o em parte irrevers\u00edveis, em parte dif\u00edceis de recuperar\u201d (Colombo, Farinelli e Valat 1988: 95).<\/p>\n<p>E todos esses factores levam ao abandono familiar do sector agr\u00edcola. Algumas fam\u00edlias de facto, por n\u00f3s entrevistadas, preferem trabalharem em outros lugares fora do ambiente agr\u00edcola e usar o seu sal\u00e1rio para a compra dos produtos alimentares no mercado. Todavia, o problema da pobreza ainda continua a preocupar tais fam\u00edlias. E mesmo sabendo que os produtos alimentares no mercado custam menos em rela\u00e7\u00e3o ao esfor\u00e7o necess\u00e1rio para produzir mesmo produto. Muitas fam\u00edlias mesmo trabalhando fora do ambiente agr\u00edcola, o que recebem nessas actividades como sal\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 suficiente para a compra dos produtos da primeira necessidade presentes no mercado. E mesmo as fam\u00edlias com filhos e filhas trabalhando como professores, enfermeiros ou policias no aparelho de estado; o que recebem como sal\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m suficiente para sanar a problem\u00e1tica da pobreza familiar. E tudo isso refere que o custo de vida \u00e9 muito alto e o sal\u00e1rio continua ainda sendo muito baixo. Um outro problema por n\u00f3s comunicado por parte de 5 fam\u00edlias por n\u00f3s entrevistados, \u00e9 que muitas das vezes os produtos alimentares nas lojas apresentam condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o ideias para a sa\u00fade alimentar. E de facto o consumidor neste caso a fam\u00edlia, sabe muito pouco sobre a durada e a origem do produto no mercado; e algumas datas das etiquetas s\u00e3o cancelados e contrabandeados e a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda muita lenta e quase inexistente naquele ponto do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estado, portanto, em que se encontra o sector agr\u00edcola familiar, porta ao abandono familiar. E as fam\u00edlias que trabalham no sector agr\u00edcola, continuam sendo as principais v\u00edtimas da pobreza e da inseguran\u00e7a alimentar. E o pouco que esses produzem n\u00e3o lhes permitem de prosperar de modo sustent\u00e1vel. E tudo isso, desmotiva as fam\u00edlias a trabalharem e a empregarem muita energia para ganhar pouco ou quase nada. Raz\u00f5es esses que continuam a levar ao abandono das zonas rurais aumentando o deslocamento para as zonas urbanas. De um lado, o abandono do sector agr\u00edcola por parte das fam\u00edlias leva tamb\u00e9m a consequ\u00eancias mais elevadas da pobreza e da inseguran\u00e7a alimentar. E o trabalho fora do ambiente agr\u00edcola \u00e9 inferior e quase inexistente seja nas zonas rurais assim como para as zonas urbanas. E tudo isso indica que o sector agr\u00edcola mesmo oferecendo menor rendimento, \u00e9 e continua sendo o sector chave para a renda familiar, mas tamb\u00e9m a depend\u00eancia do sector agr\u00edcola, acresce o risco de se encontrar armadilhado na pobreza e na inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.3.1. S\u00edntese: O n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o familiar<\/strong><\/p>\n<p>A s\u00edntese sobre o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o familiar mostra que das 25 fam\u00edlias por n\u00f3s entrevistados a maioria delas n\u00e3o tiveram nenhuma forma\u00e7\u00e3o escolar. E umas sabem ler e escrever, e tiveram ensino prim\u00e1rio, mas muitos destes n\u00e3o sabem nem escrever o seu pr\u00f3prio nome. E os que tiveram ensino secund\u00e1rio, isto \u00e9, fam\u00edlias que frequentaram a 8\u00aa classe nunca chegaram de concluir os seus ensinos. E algumas fam\u00edlias tiveram a possibilidade de frequentarem a AEA, isto \u00e9, alfabetiza\u00e7\u00e3o e ensino de adultos, mas mesmo assim esses tamb\u00e9m frequentaram os primeiros 2 anos equivalente a 2\u00aa classe e nunca souberam escrever os seus pr\u00f3prios nomes. E um dos principais factores relatados pelas fam\u00edlias \u00e9 que muitos n\u00e3o conseguiram estudar durante a sua inf\u00e2ncia porque nasceram no per\u00edodo da guerra civil. E naquele per\u00edodo as zonas rurais tinham poucas escolas e distantes de muitas \u00e1reas residenciais, e muitas das vezes para chegar nessas escolas o risco de vida era sempre maior, mas tamb\u00e9m durante a guerra ningu\u00e9m pensava de ir \u00e0 escola, mas procurar de produzir algo para a alimenta\u00e7\u00e3o familiar ou ent\u00e3o esperar da ajuda alimentar por parte do governo e parceiros internacionais.<\/p>\n<p>E depois da guerra civil, visto que a maioria das fam\u00edlias nas zonas rurais n\u00e3o tinham nenhuma escolaridade, foi implementada uma pol\u00edtica de escolariza\u00e7\u00e3o das zonas rurais. E essa visava com o alargamento da extens\u00e3o escolar, com abertura de novas escolas para as crian\u00e7as e assim como a abertura de centros para a AEA. Ao in\u00edcio, como vimos o projecto AEA, foi visto como uma pol\u00edtica ideal para restituir a educa\u00e7\u00e3o aos adultos que n\u00e3o tinham acesso ao sistema escolar durante a sua inf\u00e2ncia. Todavia, as fam\u00edlias que aderiam tais escolas acabavam por abandonar os centros de forma\u00e7\u00e3o. E um dos motivos que obrigou as fam\u00edlias ao abandono destes centros, est\u00e1 a falta de uma motiva\u00e7\u00e3o interior, mas tamb\u00e9m tais centros n\u00e3o ofereciam uma estrutura confi\u00e1vel, o ensino aos adultos era confiado aos jovens e adolescentes carentes por sua vez de uma pedagogia educativa. Contudo as fam\u00edlias, reconhecem a sua car\u00eancia educativa como um limite que lhes impedem no seu desenvolvimento familiar, seja em evoluir novas t\u00e9cnicas produtivas assim como encontrar trabalhos fora do sector agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Face a tal realidade, as fam\u00edlias de facto, vem a import\u00e2ncia formativa, mas n\u00e3o, uma educa\u00e7\u00e3o que segue o programa escolar do pa\u00eds, a que poderia seguir uma crian\u00e7a, isto \u00e9, 7 anos de escola primaria e 5 de escola secundaria. O desejo maior das fam\u00edlias \u00e9 aquele de aprender novas t\u00e9cnicas produtivas do sector agr\u00edcola, aprender novas formas de produ\u00e7\u00e3o assim como outras formas de trabalho capazes a dar um sal\u00e1rio familiar. Essas desejam aprenderem a fazerem qualquer tipo de trabalho, capaz de dar um rendimento familiar e para que esse rendimento possa ser usado para edu\u00e7\u00e3o escolar das filhas e dos filhos. Se trata, portanto, de incentivar cursos profissionais para fam\u00edlias, e o conte\u00fado dos cursos deveria se focalizar a trabalhos e a vida nas zonas rurais. E atendendo e considerando que muitas das vezes as fam\u00edlias sofrem muitos riscos de produ\u00e7\u00e3o devido as cheias e secas, seria tamb\u00e9m necess\u00e1rio incentivar o sector do artesanato familiar. \u00c9 preciso, portanto incentivar v\u00e1rios sectores de produ\u00e7\u00e3o nas zonas rurais. Se deve garantir que as fam\u00edlias adquiram novas habilidades e autonomias produtivas capazes a melhorarem o seu estado social e inovativo em mat\u00e9rias agr\u00edcolas e outros sectores como aqueles artesanais. A forma\u00e7\u00e3o, portanto, no sector familiar deveria oferecer e servir de chave para \u201cmodernizar a estrutura tradicional para que possa responder as novas aspira\u00e7\u00f5es a um tenor de vida mais alto, adaptando as suas t\u00e9cnicas aos princ\u00edpios do nosso s\u00e9culo\u201d (Turrin 2012: 55).<\/p>\n<p>E essa \u00e9 a mesma quest\u00e3o afrontada no segundo cap\u00edtulo quando falamos da necessidade formativa da fam\u00edlia no sector agr\u00edcola. Aquilo que muitos autores chamam da passagem da economia de informa\u00e7\u00e3o a economia de conhecimento que se \u201cbasa no investimento em treinamento, educa\u00e7\u00e3o e pesquisa e desenvolvimento, por um lado, e na ado\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas capazes de determinar profundas mudan\u00e7as estruturais na atitude produtiva\u201d (Pulina 2011: 21-40). E tudo isso indica a necessidade em formar uma nova estrutura familiar, atenta aos valores tradicionais e em sintonias com as novas realidades globais. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto valorizar o capital familiar sabendo que esse \u201cdesempenha um papel significativo porque afeita a capacidade das popula\u00e7\u00f5es rurais para se organizarem e apostarem no desenvolvimento\u201d (Nicolosi, Marco, Vincenzo 2011: 141-198). Portanto, n\u00e3o \u00e9 que as zonas rurais tenham a falta de investimentos, por\u00e9m essas afrontam a problem\u00e1tica na gest\u00e3o dos projetos. Um exemplo disto, acontece quando um grupo de camponeses s\u00e3o entregues um tractor, e tal tractor dura pouco tempo devido a falta da sua manuten\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pela falta da forma\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios usu\u00e1rios. Um outro exemplo nos foi reportado por um dos camponeses por nos entrevistados, esse mostrou que tinha sido criada uma pol\u00edtica de agropecu\u00e1ria organizada pelos camponeses onde algumas fam\u00edlias foram dadas animais por criar. A cada fam\u00edlia podia receber uma copia de animal e ap\u00f3s a sua reprodu\u00e7\u00e3o devia passar a uma outra fam\u00edlia. Mas tal projecto teve pouco impacto porque muitas fam\u00edlias que levavam os animais faziam uso do consumo pr\u00f3prio e n\u00e3o tinham as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias seja material, econ\u00f3mico de sa\u00fade e higiene para a sua cria\u00e7\u00e3o. E tudo isso faz com que as v\u00e1rias pol\u00edticas de ajudas a fam\u00edlias camponesas continuam ainda a criar pouca sustentabilidade familiar e social. E investir no sector formativo familiar pode \u201cajudar os v\u00e1rios grupos a realizar de forma eficaz e eficiente algumas tarefas chave de desenvolvimento, tais como planejamento de avalia\u00e7\u00e3o e tomada de decis\u00f5es, mobiliza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de recursos, comunica\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o de actividades, e resolu\u00e7\u00e3o de conflitos (Nicolosi, et al).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.3.2. S\u00edntese: V\u00e1rios tipos de trabalhos familiares<\/strong><\/p>\n<p>A s\u00edntese sobre os v\u00e1rios tipos de trabalhos familiares, mostra que as 25 fam\u00edlias camponesas que tivemos a ousadia de entrevistar, fazem v\u00e1rios trabalhos de natureza agr\u00edcola, e esses n\u00e3o t\u00eam uma especialidade produtiva. E tudo isso faz com que as fam\u00edlias produzam tudo o que estiver ao seu alcance dando maior possibilidade aos produtos sazonais. E entre os v\u00e1rios tipos de trabalhos familiares, segundo os dados, mostram que todas as 25 fam\u00edlias praticam a agricultura como actividade principal da fam\u00edlia. E quase todas tem v\u00e1rias plantas de fruta em casa, assim como um total de 24 fam\u00edlias fazem actividades de cria\u00e7\u00e3o de galinhas. Tendo ainda uma grande restri\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de animais como boi, cabrito, porcos, e somente 1 campon\u00eas dos 25 cria boi junto a uma associa\u00e7\u00e3o familiar. E tudo isso revela a dificuldade familiar em criar animais. Um problema que pode ser ligado com o ambiente, que segundo alguns camponeses disseram que aquela zona n\u00e3o era propicia para a cria\u00e7\u00e3o de animais. E os animais naquela prov\u00edncia s\u00e3o mais criados na zona de Morrumbala, Milanje e Mopeia. O que pode revelar dos porque que o projeto na distribui\u00e7\u00e3o de animais para promover tal actividade nas fam\u00edlias nunca teve um efeito positivo. Por outro lado, a pesca \u00e9 tamb\u00e9m uma actividade menos praticada. E a fraca actividade de pesca familiar deve-se pela dist\u00e2ncia existente das zonas residenciais com os rios e mares, assim como pela pouca produtividade no sector da pesca.<\/p>\n<p>De um lado devido ao fraco aproveitamento dos v\u00e1rios sectores agr\u00edcolas; entre as 25 fam\u00edlias entrevistadas, dos quais 10 homens e 15 mulheres, notamos tamb\u00e9m que os homens para al\u00e9m de trabalhos agr\u00edcolas, esses fazem v\u00e1rios trabalhos fora do ambiente agr\u00edcola. Alguns homens por exemplo, fazem trabalhos de t\u00e1xi de bicicleta, e de um lado, homens e mulheres, tamb\u00e9m ocupam maior tempo em trabalhos dom\u00e9sticos assalariados. E todos esses trabalhos v\u00e3o a sorte, porque n\u00e3o oferecem nenhum tipo de contrato e nem vem respeitada nenhuma dignidade e direito do trabalho dos mesmos e o que vem pago como sal\u00e1rio \u00e9 muito pouco e insignificante. Por outro lado, mesmo as fam\u00edlias que trabalham no aparelho do Estado, o que recebem do seu sal\u00e1rio \u00e9 muito inferior e n\u00e3o satisfaz as necessidades alimentares da fam\u00edlia. E um dos factores que leva as fam\u00edlias a praticarem outras actividades fora do ambiente agr\u00edcola familiar, esta como diz\u00edamos no segundo cap\u00edtulo sobre a quest\u00e3o dos rendimentos decrescentes. A fraca produtividade do sector agr\u00edcola, e fracos rendimentos continuam a for\u00e7ar as fam\u00edlias a procurarem outras fontes alternativas para fazer face as necessidades econ\u00f3micas familiares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.3.3. S\u00edntese: Meios e m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola<\/strong><\/p>\n<p>A s\u00edntese apurada sobre os meios e m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o, mostram que as fam\u00edlias camponesas continuam usando instrumentos rudimentares. E tudo isso faz com que esses muitas das vezes n\u00e3o consigam produzir todo o espa\u00e7o de terra em seu possesso, ou mesmo a levarem muito tempo para puderem realizarem as suas actividades. Fracos meios e m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m esses a causa dos rendimentos decrescentes familiares. E quase todas as fam\u00edlias usam a enxada do capo como instrumento primordial para as suas actividades agr\u00edcolas. A maioria usa machado para actividades de corte de arvores e para a defloresta\u00e7\u00e3o de algumas \u00e1reas para fins agr\u00edcolas. De um lado, o trabalho mostra tamb\u00e9m que as fam\u00edlias usam o m\u00e9todo tradicional. E com o m\u00e9todo tradicional, queremos indicar que as fam\u00edlias, capinam e cultivam com enxadas sem o uso de fertilizantes e t\u00e9cnicas consistentes. E n\u00e3o existe a produ\u00e7\u00e3o rotat\u00f3ria, isso \u00e9, produzir e deixar a terra para alguns anos para permitir que a terra possa recuperar naturalmente a sua fertilidade. Esses n\u00e3o havendo outros lugares de produ\u00e7\u00e3o se atacam com essa mesma terra at\u00e9 que um dia a terra se canse de produzir. De um lado, se nota constantemente a pr\u00e1tica de uso de fogo para queimadura nas machambas para livrar do capim elevado nas machambas. E essa pr\u00e1tica tem sido em algumas vezes a grande causa de queimadas descontroladas de arvores nas florestas e para al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o de algumas esp\u00e9cies animais.<\/p>\n<p>De um lado, na prov\u00edncia existem algumas multinacionais empenhadas no sector agr\u00edcola que usam fertilizantes qu\u00edmicos e no seu trabalho agr\u00edcola, mesmo no mercado urbano existem fertilizantes qu\u00edmicos a venda. Por\u00e9m as fam\u00edlias n\u00e3o conseguem usar fertilizantes qu\u00edmicos porque custam e esses n\u00e3o t\u00eam dinheiro para comprara-lo. Sendo assim as fam\u00edlias produzem com as suas t\u00e9cnicas tradicionais. Com isso n\u00e3o queremos dizer que essa seja a boa metodologia produtiva, mas indicar que entre tal m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o familiar, existem tamb\u00e9m algumas usan\u00e7as que s\u00e3o nocivas ao ambiente. \u00c9 o caso como diz\u00edamos, o corte excessivo de arvores, queimadas descontroladas, a ca\u00e7a furtiva, s\u00e3o todos esses umas das causas da problem\u00e1tica das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que por sinal influenciam tamb\u00e9m no rendimento agr\u00edcola familiar. E os desafios actuais que estamos atravessando no pais como a dos ciclones IDAI e Keneth n\u00e3o s\u00e3o nada mais que as grandes consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. E tudo isso deveria chamar aten\u00e7\u00e3o as fam\u00edlias, \u00e9 um tempo de refletir e indicar uma via de produ\u00e7\u00e3o que seja recorr\u00edvel para todos. E para tal, \u00e9 preciso saber interagir com todos agentes envolvidos no sector agr\u00edcola para juntos podermos procurar e encontrar solu\u00e7\u00f5es que oferecem um m\u00e9todo produtivo n\u00e3o somente preocupado a uma \u00fanica variante de tipo econ\u00f3mico. Mas um m\u00e9todo produtivo preocupado a resolver as v\u00e1rias variantes que sejam econ\u00f3micos, sociais e ambientais. \u00c9 preciso, portanto, \u201cestudar, avaliar e enfrentar, no presente, as consequ\u00eancias do uso de fontes de energia em que nos baseamos excessivamente e, no futuro, identificar m\u00e9todos de fornecimento que tenham um impacto menor e menos prejudicial\u201d (Klausner 2008: 33-45).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.3.4. S\u00edntese: A terra de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nesta s\u00edntese procur\u00e1vamos entender se de facto as fam\u00edlias possuem uma terra ou um espa\u00e7o f\u00edsico para a realiza\u00e7\u00e3o das suas actividades produtivas. E fomos encontrar que todas as fam\u00edlias possuem uma terra de produ\u00e7\u00e3o que pertence ao seu n\u00facleo familiar. Por\u00e9m a produtividade de algumas terras depende das esta\u00e7\u00f5es dos anos, e quando se trata por exemplo de per\u00edodos de muitas secas, as fam\u00edlias que est\u00e3o nas zonas altas v\u00e3o a procura de terras por meio de aluguer ou empr\u00e9stimo nas zonas baixas. E assim tamb\u00e9m quando se trata de esta\u00e7\u00f5es de muitas chuvas e inunda\u00e7\u00f5es as fam\u00edlias das zonas baixas v\u00e3o tamb\u00e9m a procura de zonas altas, alugando ou emprestando terras de outras fam\u00edlias. E encontramos que, mais de 8 fam\u00edlias emprestam machambas e outras 10 fam\u00edlias alugam tamb\u00e9m machambas. E tudo isso se registra quase na maioria das esta\u00e7\u00f5es dos anos principalmente nas \u00e9pocas de produ\u00e7\u00e3o de arroz que por sinal necessita de \u00e1gua para a sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E muitas vezes as fam\u00edlias vivem desesperadas, e para n\u00e3o correrem o risco de perderem a produ\u00e7\u00e3o a maioria delas preferem tomarem cuidado das duas machambas uma nas zonas altas e uma nas zonas baixas, na espectativa do que ser\u00e1 da natureza. E isso leva tamb\u00e9m a consequ\u00eancias de rendimentos inferiores, onde muitas vezes as fam\u00edlias est\u00e3o indecisas e n\u00e3o sabem qual das duas machambas poder empregar maior investimento, visto que n\u00e3o se sabe se ser\u00e1 um tempo chuvoso ou de secas.<\/p>\n<p>De um lado, detectamos tamb\u00e9m a problem\u00e1tica da luta familiar por quest\u00f5es de terras. E a terra na Zamb\u00e9zia \u00e9 um grande patrim\u00f3nio familiar, por\u00e9m encontramos tamb\u00e9m casos de lutas familiares em casos de herdeiro ou herdeira da terra. Existem de facto, fam\u00edlias que antes possu\u00edam uma grande por\u00e7\u00e3o de terra, que, por\u00e9m, ap\u00f3s a morte dos seus parentes esses ficam lutando para a terra e muitas das vezes esses decidem a venderem a terra para dividirem o dinheiro e cada um vai comprar-se uma nova terra em outro lugar longe da sua fam\u00edlia. E tudo isso muitas das vezes tr\u00e1s transtornos em termos de renda familiar. E a nova terra \u00e9 muitas das vezes inferior e tem sido uma terra que tamb\u00e9m j\u00e1 vinha produzindo e j\u00e1 perdeu a sua fertilidade. E as consequ\u00eancias de tudo isso, s\u00e3o aquelas fam\u00edlias que tem sim uma terra familiar, mas continuam a procurarem machambas ou espa\u00e7os para uso em forma de aluguer ou empr\u00e9stimos. E tudo isso permite a pilhagem de terras por outras pessoas sejam esses indiv\u00edduos nacionais que \u00e0s multinacionais que procuram terras para actividades produtivas. E enquanto que para o aluguer de terra precisa pagar um valor econ\u00f3mico estabelecido em cada esta\u00e7\u00e3o do ano, no empr\u00e9stimo de terra o benefici\u00e1rio deve no fim de cada colheira repagar o propriet\u00e1rio da terra com uma quantidade do produto colhido segundo o acordo estabelecido pelos membros familiares envolvidos. E a problem\u00e1tica da terra, obriga muitas das vezes as fam\u00edlias \u201ca explora\u00e7\u00e3o incessante de novas \u00e1reas para substituir as terras exploradas\u201d (Howard 2005: 55), ou mesmo aquelas terras que j\u00e1 n\u00e3o podem mais produzirem devido as secas, eros\u00f5es e inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, podemos dizer que devemos incentivar uma nova forma de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Precisamos de educar a fam\u00edlia a conserva\u00e7\u00e3o e advocacia do meio ambiente, na prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas. E tudo isso indica que \u00e9 preciso potenciar o capital familiar para que esses sejam protetores e advogados do planeta, fazendo com que o trabalho agr\u00edcola n\u00e3o seja destrutivo, mas de regenera\u00e7\u00e3o familiar e ambiental. \u00c9 preciso saber cortar uma arvore e saber substitu\u00ed-lo. E sabendo por outro lado, quais s\u00e3o as consequ\u00eancias clim\u00e1ticas e ambientais que a desfloresta\u00e7\u00e3o pode originar. E um exemplo desta realidade pode ser visto no estudo presentado pela FIDA na Eti\u00f3pia, que mostra que \u201co treinamento sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica proporcionou aos agricultores mais conhecimento e informa\u00e7\u00e3o sobre o valor das \u00e1rvores na mitiga\u00e7\u00e3o de muitos dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que suas comunidades enfrentam\u201d (IFAD. 2019. The Value of Indigenous Tree Species in Ethiopia).<\/p>\n<p>E esta \u00e9 uma pr\u00e1tica que precisa ser promovida em muitos lugares no mundo onde se encontram ainda muitas fam\u00edlias vivendo no desespero e for\u00e7ados a usarem t\u00e9cnicas produtivas que ao env\u00e9s de melhorarem os seus rendimentos continuam a reduzirem os seus rendimentos produtivos, acelerando o empobrecimento da terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.3.5. S\u00edntese: Actividade de com\u00e9rcio<\/strong><\/p>\n<p>Os resultados sobre as actividades de com\u00e9rcio mostram que de facto, as fam\u00edlias praticam actividades de com\u00e9rcio. E mesmo apesar das dificuldades que esses encontram para realizarem actividades comerciais; vemos que a maioria das fam\u00edlias, praticam actividades de com\u00e9rcio. As fam\u00edlias de facto fazem actividades de venda de produtos no mercado rural, nas beiras das estradas assim como nas feiras, que vem organizadas semanalmente ou mesmo de modo ambulante. E para al\u00e9m disto as fam\u00edlias realizam tamb\u00e9m actividades de trocas de produtos agr\u00edcolas. E entre os produtos mais vendidos pela fam\u00edlia, constam os produtos de dif\u00edcil conserva\u00e7\u00e3o, como: frutas, verduras, legumes; enquanto que os produtos de troca familiar contam produtos de longa conserva\u00e7\u00e3o como arroz, milho, magagada (mandioca seca). Essa actividade acontece principalmente nos per\u00edodos de escassez do produto acompanhados de muita crise alimentar. Portanto quem tem um produto diferente \u00e9 obrigado a trocar com uma outra fam\u00edlia que tem um produto diverso. De um lado, notamos tamb\u00e9m que a actividade de com\u00e9rcio feito pelas fam\u00edlias \u00e9 de tipo clandestino ou por outra ocasional, e esse carece de uma programa\u00e7\u00e3o estrutural.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias, de facto n\u00e3o vendem porque existem uma demanda alta no mercado, muitas das vezes as fam\u00edlias at\u00e9 vendem o que eles necessitam para o seu pr\u00f3prio alimento familiar. Trata-se da venda da maior parte do produto que produzem, muitas das vezes porque essa n\u00e3o tem armaz\u00e9ns e condicionadores para a conserva\u00e7\u00e3o do produto. Raz\u00f5es pelas quais encontramos que, quase todas as fam\u00edlias mesmo produzindo pequenas quantidades fazem actividades de com\u00e9rcio e sem nenhum objectivo de arrecadar lucros. Mas para evitar de perder os produtos que por sinal devido a temperaturas altas alguns produtos acabam terminando nas lixeiras. E para al\u00e9m de insectos e ratos que atacam e roem os produtos conservados. E existem tamb\u00e9m casos em que as fam\u00edlias vendem os seus produtos porque lhes falta algo na fam\u00edlia, e usam o dinheiro da venda para a compra de outros bens alimentares, assim como a compra de vestu\u00e1rios.<\/p>\n<p>E tudo isso mostra que o comercio \u00e9 importante para as fam\u00edlias, porque ajuda a comprar outros produtos alimentares fornecidos pela zona urbana. De um lado, nota-se tamb\u00e9m que a problem\u00e1tica dos meios e m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o, assim como a falta de meios de conserva\u00e7\u00e3o dos produtos ap\u00f3s a colheita, leva as fam\u00edlias a venderem a maior parte do seu produto. E de um lado com escassez da demanda no mercado, o que mesmo devia ser vendido acaba sendo abandonado nas lixeiras e nas ruas. Portanto nem tudo o que vem produzido pelas fam\u00edlias encontra mercado ou mesmo chega a ser consumado pelas fam\u00edlias. E tudo isso cria dificuldades a programar-se para as pr\u00f3ximas actividades produtivas. E neste modo, a fam\u00edlia vem vista como um grupo de pessoas que n\u00e3o sabe capitalizar o seu produto, produzindo de facto para o consumo e venda sazonal. E este \u00e9 um problema que acompanha a vida e a produtividade familiar. E se nos per\u00edodos de grandes secas e cheias acompanhadas de inunda\u00e7\u00f5es as fam\u00edlias padecem de inseguran\u00e7a alimentar, \u00e9 porque essa n\u00e3o soube aproveitar no per\u00edodo em que essa poderia produzir uma boa quantidade e capitalizar o seu produto para os anos posteriores. E isso significa que \u00e9 necess\u00e1rio que as fam\u00edlias aprendam e saibam produzir uma boa quantidade quando se trata de per\u00edodos de chuvas moderadas, ou mesmo nos anos de abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>E sobre essa mesma situa\u00e7\u00e3o queremos aqui trazer, um exemplo de uma fam\u00edlia por n\u00f3s entrevistado na Maganja da Costa, ele apresentou-nos que tinha uma boa quantidade de sacos de arroz e outra quantidade de magagada, do ano precedente e n\u00e3o tinha intens\u00e3o a vender porque ele usava os produtos para pagar os seus trabalhadores, isto \u00e9 de outras fam\u00edlias que vem a procura de trabalho di\u00e1rios que naquele ponto da Prov\u00edncia chamam de \u201cganyo-ganyo\u201d, e ele n\u00e3o havendo dinheiro paga-lhes em forma de produto. E segundo essa experi\u00eancia do nosso entrevistado e num di\u00e1logo aprofundado, chegamos em afirmar que aquilo que o nosso entrevistado faz pode tamb\u00e9m ser feito com outras fam\u00edlias, e nesse caso as fam\u00edlias deveram esfor\u00e7arem-se a aumentarem e a empregarem maior investimento de capital e de energia em produtos de longas conserva\u00e7\u00f5es, como: arroz, feij\u00e3o, milho, mandioca, amendoim, nos anos em que a terra \u00e9 f\u00e9rtil e oferece maior produtividade. De um lado as fam\u00edlias necessitam tamb\u00e9m aprender a fazerem uso de celeiros para a conserva\u00e7\u00e3o dos respectivos produtos. E isso n\u00e3o precisa um grande investimento familiar, mas de uma vontade familiar, e como se diz que tudo para sobreviver precisa de ser alimentado, podemos aqui dizer que a pobreza e a fraca produtividade familiar s\u00e3o tamb\u00e9m alimentadas por um esp\u00edrito de negligencia familiar.<\/p>\n<p>Se a riqueza cria riqueza, a pobreza tamb\u00e9m cria pobreza excessiva no seio familiar. E isso n\u00e3o significa que as fam\u00edlias n\u00e3o enfrentam dificuldades, mas queremos aqui sublinhar que tudo o que for necess\u00e1rio fazer enquanto seres humanos necessitamos de sacrif\u00edcios. Sabemos e detectamos muito bem que as fam\u00edlias enfrentam v\u00e1rias dificuldades nas suas actividades agr\u00edcolas. Seja de tipo econ\u00f3mico assim como de meios econ\u00f3micos e de meios de produ\u00e7\u00e3o assim como de prote\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios desastres naturais. Todavia, as fam\u00edlias n\u00e3o devem paralisarem-se e limitarem-se a produzir somente para o consumo e venda que dura apenas um trimestre e passar outros tr\u00eas trimestres no desespero e na inseguran\u00e7a da vida. \u00c9 preciso que as fam\u00edlias camponesas da Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia aprendam a prosperar e sonhar um futuro diferente a dos seus antepassados. E esperar na ajuda do exterior como muitos dizem, que n\u00e3o podem produzir porque n\u00e3o possuem de ajudas externas e precisam que o governo lhes assista em continua\u00e7\u00e3o nunca iram produzir em prospetiva futura. E com isso n\u00e3o queremos dizer que seja errado ajudar as fam\u00edlias a produzir. Mas queremos aqui deixar ficar que a assist\u00eancia as fam\u00edlias camponesas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica via do desenvolvimento e do melhoramento do sector agr\u00edcola familiar. \u00c9 preciso que as fam\u00edlias sabiam elaborar pol\u00edticas agr\u00edcolas aut\u00f3nomas capazes a melhorarem o seu sector produtivo. \u00c9 necess\u00e1rio que essas aprendam tamb\u00e9m a organizarem-se em grupos ou em associa\u00e7\u00f5es; \u00e9 o caso por exemplo do cucumbe, onde quase um total de 22 fam\u00edlias fazem tal trabalho de cucumbe. E a entrevista no campo mostrou que o trabalho de cucumbe \u00e9 muito importante para as fam\u00edlias. E mesmo n\u00e3o tendo meios econ\u00f3micos para contractar novos trabalhadores, com cucumbe de 2 ou mais fam\u00edlias ajuda-lhes a produzirem uma enorme quantidade sem gastos adicionais e os benef\u00edcios s\u00e3o sempre familiares e n\u00e3o precisam de serem compartilhados.<\/p>\n<p>Portanto a fam\u00edlia camponesa precisa de iniciar os trabalhos agr\u00edcolas pelo seu pr\u00f3prio investimento, partindo do capital que esses possuem, (terra, capital familiar, conhecimentos tradicionais e etc.)., e em seguida se pode falar de politicas de assist\u00eancia agr\u00edcolas, porque n\u00e3o se pode assistir o que n\u00e3o existe; e o actual estado de assist\u00eancia familiar nas zonas rurais, muitas das vezes, nos parece que obriga as fam\u00edlias a praticarem ou a retomarem actividades agr\u00edcolas sem nenhuma vontade ou motiva\u00e7\u00e3o interna dos mesmos. \u00c9 como se se dissesse \u00e9s pobre, e n\u00e3o estudaste a \u00fanica maneira para sobreviver \u00e9 o trabalho agr\u00edcola, e isso continua ainda a mostrar o trabalho agr\u00edcola como uma actividade econ\u00f3mica dos mais pobres da sociedade e de gente analfabeta. E essa pode ser uma das causas que continua a levar o abandono de muitos jovens nos trabalhos agr\u00edcolas. E maior n\u00famero dos camponeses por n\u00f3s entrevistado, procuram fazer de tudo para que os seus filhos e filhas n\u00e3o passem a fome trabalhando no sector agr\u00edcola, mas para que esses encontrem trabalhos noutros sectores produtivos. E tudo isso nos leva a dizer que, se de um lado esta errada a pol\u00edtica de assist\u00eancia agr\u00edcola, por outro lado esta a falta da vontade familiar em trabalhos agr\u00edcola. E alguns est\u00e3o seguros que n\u00e3o podem iniciar nenhuma actividade agr\u00edcola sem nenhuma assist\u00eancia governativa, mas tamb\u00e9m esses quando vem ajudados n\u00e3o apresentam uma continuidade ao termine do projecto de assist\u00eancia familiar. Por isso, os camponeses da Prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia, se precisam prosperar devem iniciarem a acreditarem que tudo lhes \u00e9 dado e qualquer mudan\u00e7a necess\u00e1ria nas suas vidas dependera do ritmo de vida individual e do inteiro grupo familiar que esses ir\u00e3o decidirem a seguir como um modelo de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos v\u00e1rios problemas que o sector agr\u00edcola familiar, continua sendo o principal sector prim\u00e1rio para o desenvolvimento e da seguran\u00e7a alimentar no pa\u00eds. E no pa\u00eds, de modo particular a prov\u00edncia da Zamb\u00e9zia, quando se trata de boas \u00e9pocas e de chuvas moderadas as fam\u00edlias mesmo produzindo com t\u00e9cnicas e meios rudimentares tem vindo a arrecadar um proveito significativo de produ\u00e7\u00e3o. De um lado fomos tamb\u00e9m notando que apesar da grande capacidade produtiva, a maioria das fam\u00edlias n\u00e3o conseguem produzir quantidades capazes de assegurar a alimenta\u00e7\u00e3o familiar em longos per\u00edodos. Essa continua ainda a produzir para a alimenta\u00e7\u00e3o e a venda de curto prazo. E tudo isso indica que a fam\u00edlia necessita de uma mudan\u00e7a de paradigma, essa n\u00e3o pode produzir para o consumo num dado per\u00edodo de tempo, assim como n\u00e3o basta vender a maior quantidade, para ficar sem nada para o seu pr\u00f3prio alimentos. E muitas das vezes a fam\u00edlia \u00e9 for\u00e7ada a vender os produtos a pre\u00e7os baixos que por sua vez n\u00e3o recompensam aos investimentos iniciais e da energia gasta para produzir tais produtos. Para tal, \u00e9 preciso encontrar um equil\u00edbrio entre a demanda e a oferta dos produtos agr\u00edcolas, e isso significa saber quando levar os produtos no mercado e como controlar o cen\u00e1rio dos mercados. De um lado, implicaria a necessidade em saber organizar-se e saber produzir boas quantidades e qualidades e sabendo conservar tais produtos para alimenta\u00e7\u00e3o de longo termine, assim como a sua venda nos momentos em que a demanda \u00e9 alta. Assim como seria tamb\u00e9m necess\u00e1rio criar nas zonas rurais um sistema de agroturismos, para permitir que muitos conhe\u00e7am a especialidade produtiva das fam\u00edlias daquele ponto do pa\u00eds.<\/p>\n<p>E tudo isso poderia ajudar a promover os produtos familiares daquela regi\u00e3o e assim como a incentivar aquelas fam\u00edlias que j\u00e1 perderam a vontade em trabalhar no sector agr\u00edcola. De um lado, levaria a considerar o sector agr\u00edcola familiar como a chave ideal para o desenvolvimento e da seguran\u00e7a alimentar daquelas fam\u00edlias que vivem naquele ponto do pa\u00eds. Portanto, o sector agr\u00edcola familiar, bem organizado, pode \u201cfornecer trabalho de qualidade e dignidade para o qual \u00e9 perigoso renunciar, tanto para o trabalhador individual assim como para o pa\u00eds\u201d (Berry 2015: 59). E para tal, \u00e9 necess\u00e1rio a elabora\u00e7\u00e3o de uma nova estrat\u00e9gia operativa em prol das fam\u00edlias camponesas. \u00c9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a de paradigma, sabendo que ela s\u00f3 n\u00e3o ira desenvolver, mas tamb\u00e9m isso n\u00e3o significa tratar dos camponeses como mendicantes, mas um saber cooperar para uma nova identidade camponesa. E \u201c\u00e9 ilus\u00f3rio pensar que a agricultura pode se tornar sustent\u00e1vel ao se adaptar aos termos impostos pela economia. \u00c9 imposs\u00edvel, porque esses termos n\u00e3o s\u00e3o dele, e a economia agr\u00edcola actual visa a explora\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e de curto prazo, certamente n\u00e3o a sustentabilidade\u201d (Berry 2015: 96). Portanto nunca se resolver\u00e1 a problem\u00e1tica do sector agr\u00edcola familiar sem uma verdadeira invers\u00e3o de marcha, a nova tend\u00eancia necessitara de uma aten\u00e7\u00e3o social e ambiental do contexto. E para tal, \u00e9 preciso criar pol\u00edticas agr\u00edcolas capazes a prosperar no seio ambiental e familiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"template":"","meta":{"_acf_changed":false,"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":""},"autori":[1189],"fascicolo":[289],"class_list":["post-2624","articolo","type-articolo","status-publish","hentry","autori-isaias-rofino-marcano","fascicolo-giugno-2020"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.0 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Oikonomia - O sector agr\u00edcolo familiare em Mo\u00e7ambique<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Leggi l&#039;articolo a cura di Isaias Rofino Marcano, pubblicato nel numero di Giugno 2020. 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